Prisão preventiva para os três detidos por fornecimento de peças ilegais a companhias aéreas

Um dos arguidos é funcionário da TAP. Suspeitos terão vendido componentes não certificados para motores de aviões, acompanhados de documentação falsa.

Pedro Gonçalves

Os três homens detidos pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeitas de envolvimento num esquema fraudulento de fornecimento de peças de avião não certificadas a companhias aéreas, incluindo a TAP, ficaram esta sexta-feira em prisão preventiva. A medida de coação mais gravosa foi decretada após o primeiro interrogatório judicial, face à gravidade dos crimes de que são acusados e aos riscos processuais identificados.

A informação foi confirmada ao Correio da Manhã pelo diretor nacional da PJ, Luís Neves, que revelou ainda que um dos detidos é efetivamente um funcionário da transportadora aérea nacional.

Segundo a Polícia Judiciária, em causa está o fornecimento de componentes aeronáuticos classificados como Suspected Unapproved Parts — peças que não cumprem os requisitos técnicos definidos pelos fabricantes originais —, acompanhadas de documentação de certificação alegadamente falsificada. Estes materiais seriam, posteriormente, encaminhados para empresas de transporte aéreo e respetivas unidades de manutenção.

Num comunicado divulgado na quarta-feira, a PJ explica que a investigação teve origem numa denúncia apresentada em 2023 por uma das operadoras aéreas, após esta detetar “nas suas cadeias de abastecimento, componentes não certificados, destinados a ser instalados em motores aeronáuticos, no decurso de ações de manutenção”. Antes de formalizar a queixa, a empresa informou as entidades reguladoras de segurança aérea, contribuindo para a rápida intervenção das autoridades, tanto a nível nacional como internacional.

Fontes ligadas à investigação confirmaram que uma das companhias lesadas é a TAP. Embora não tenham sido reveladas mais empresas envolvidas, a PJ admite que o esquema teve impacto em várias operadoras, o que motivou a designação da operação como “Voo Cego”.

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A dimensão da investigação levou à realização de 10 buscas domiciliárias e não domiciliárias em diversas zonas do país, incluindo Lisboa, Margem Sul, Alentejo, Algarve e interior.

Os detidos são suspeitos de vários crimes, entre os quais se incluem burla qualificada, falsificação de documentos, administração danosa, atentado à segurança de transporte por ar, branqueamento de capitais, corrupção passiva, corrupção com prejuízo do comércio internacional e fraude fiscal qualificada.

A operação decorre no âmbito de uma investigação coordenada pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, em articulação com o Ministério Público.

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