As autoridades italianas apresentaram acusações contra mais de 40 mil pessoas por não cumprirem com a quarentena imposta para conter a propagação do coronavírus, segundo dados do Ministério do Interior do país, citados pelo ‘The Guardian’.
Enquanto milhões de italianos se encontram em casa desde o dia 9 de Março, altura em que o primeiro-ministro Giuseppe Conte instituiu uma quarentena nacional obrigatória, uma minoria da população violou as regras que exigiam que os cidadãos apenas saíssem de casa em extrema necessidade, por motivos de saúde ou compras essenciais de supermercado.
As autoridades italianas verificaram cerca de 700 mil cidadãos, entre os dias 11 e 17 de Março, dos quais 43 mil violaram o decreto de lei, que também ordenou o encerramento de lojas, bares, restaurantes, ginásios e piscinas.
Um dos casos mais graves aconteceu em Sciacca, na Sicília, quando um homem infectado com Covid-19, foi descoberto pela polícia a fazer compras num supermercado, apesar da ordem expressa para se isolar em casa. Foi aberta uma investigação judicial, que acusou o cidadão de «contribuir para a propagação da epidemia». Caso seja condenado, a pena pode ir até 12 anos de prisão.
Também outro caso em Aosta, no noroeste da Itália, relata uma investigação judicial contra um homem por «tentativa agravada de propagar a epidemia» uma vez que não informou os seus médicos de que tinha sintomas de coronavírus antes de realizar uma cirurgia plástica ao nariz. O homem foi posteriormente diagnosticado com a Covid-19.
«O problema é que o decreto governamental não proíbe explicitamente o movimento público (nas ruas), a menos que uma pessoa esteja infectada com o vírus ou tenha entrado em contacto com alguém infectado», disse Salvatore Vella, um oficial de justiça do sudoeste da Sicília, acrescentando que «se o decreto fosse mais explícito, teria concedido aos oficiais a capacidade de aplicar a lei com mais clareza e teria dado aos cidadãos um forte incentivo para não violar a lei».
Muitos dos acusados de furar a quarentena justificaram a sua atitude, referindo que o decreto de lei tem muitas ambiguidades, que fizeram com que não fosse possível perceber concretamente as restrições em causa.












