Covid-19: Marcelo decreta estado de emergência. Falta aprovação do Governo

Marcelo Rebelo de Sousa decretou estado de emergência, devido à pandemia de Covid-19. Agora, segue para votação no Parlamento.

Ana Rita Rebelo

Marcelo Rebelo de Sousa decretou estado de emergência, devido à pandemia de Covid-19. Agora, segue para votação no Parlamento, uma vez que o Governo tem de ser ouvido e dar forçosamente um parecer. A notícia está a ser avançada pela “TVI24”.

O Presidente, que fala ao País às 20 horas, esteve esta manhã reunido em Conselho de Estado, órgão de consulta política do Presidente da República, uma vez que o estado de emergência é declarado por Marcelo mediante autorização do parlamento e ouvido o Governo.

A concretizar-se, a medida é excepcional e vigora por 15 dias, que podem ser renovados. Esta foi a 14ª vez que Marcelo reuniu este órgão desde que tomou posse, em 2016.

A lei estabelece que o «apenas pode ser determinada a suspensão parcial do exercício de direitos, liberdades e garantias», prevendo-se, «se necessário, o reforço dos poderes das autoridades administrativas civis e o apoio às mesmas por parte das Forças Armadas».

No domingo passado, o primeiro-ministro informou, numa conferência de imprensa, que Marcelo Rebelo de Sousa iria convocar o Conselho de Estado e que na ordem de trabalhos estava a decisão sobre a declaração do estado de emergência. António Costa garantiu que o Governo não se iria opor ao estado de emergência, mas manifestou dúvidas, dizendo que não vê motivos para se limitarem as liberdades de reunião ou de expressão.

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Um dia depois, na segunda-feira à noite, Costa admitiu, em entrevista à “SIC”, que antes do estado de emergência poderia ser decretado o estado de calamidade, como veio a acontecer em Ovar.

A única vez que o país viveu em estado de sítio foi a 25 de Novembro, em 1975, durante a revolução.

Em época de epidemia, este foi o primeiro Conselho de Estado, através de videoconferência. Apenas o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa esteve no Palácio de Belém, em Lisboa, enquanto os restantes membros estiveram à distância. Este órgão é constituído por 19 membros: além do Presidente, que preside, que integra Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, António Costa, primeiro-ministro, Costa Andrade, presidente do Tribunal Constitucional, Lúcia Amaral, provedora de Justiça, Vasco Cordeiro, presidente do Governo Regional dos Açores, Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, todos por inerência, e ainda António Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e Cavaco Silva, ex-presidentes da República. Eduardo Lourenço e Costa Andrade estiveram em falta nesta quarta-feira.

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Integra ainda cinco membros escolhidos por Marcelo Rebelo de Sousa, António Lobo Xavier, Eduardo Lourenço, Leonor Beleza, Luís Marques Mendes e António Damásio e mais cinco eleitos pela Assembleia da República, Carlos César, Francisco Louçã, Francisco Pinto Balsemão, Rui Rio e Domingos Abrantes.

Os números do Covid-19

O último balanço da Direção-Geral da Saúde revelou que o número de casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus subiu para 642, 194 a mais do que na terça-feira. Esta quarta-feira foi anunciada a segunda vítima mortal por Covid-19 no país: o presidente do Conselho de Administração do Santander, António Vieira Monteiro. A primeira morte foi um homem de 80 anos.

Há, neste momento, 20 doentes nos cuidados intensivos.  O Alentejo regista os primeiros dois casos, sendo que, até aqui era a única região do país sem doentes confirmados. As regiões com mais infectados são o Norte com 289 casos, Lisboa e Vale do Tejo com 243, Centro com 74 e 21 no Algarve.

O coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infectou mais de 200 mil pessoas e morreram mais de oito mil.

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O surto começou na China, em Dezembro, e espalhou-se por mais de 146 países e territórios,incluindo Portugal, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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