Aeroporto do Montijo: «Querem mandar para a Margem Sul as sobras da Portela»

O presidente da Câmara do Seixal defende ainda que nestes concelhos são 30 mil pessoas afectadas com ruído e da poluição com aviões a sobrevoar as suas habitações, serviços públicos e locais de trabalho a baixa altitude em direcção à península do Montijo» e que quer no Barreiro, quer na Moita «serão mais cerca de 60 mil».

Executive Digest

«Como presidente da Câmara de Lisboa, [António Costa] esteve de acordo em construir o novo aeroporto no campo de tiro de Alcochete. Nós temos a mesma posição que o PS tinha há 10 anos. O primeiro-ministro diz que o Estado está obrigado contratualmente a avançar com a opção Montijo», afirmou o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos, em entrevista à “Sábado”.

O autarca da Moita acrescenta: «Os nossos argumentos são sérios, objectivos. Os de alguns defensores do Montijo são construídos em falácias e miragens». «Há uma década estávamos a falar de transferência – ainda que progressiva – de operação da Portela para aqui. Hoje falamos apenas de um aeroporto complementar para operações low-cost e a ligação à economia é incipiente. Cria empregos, mas não dá a resposta que a região precisa», sustenta.

Rui Garcia diz que a questão do tempo e do custo «não são verdadeiras». «Em Alcochete, constrói-se uma fase, depois a segunda até ao aeroporto que o país precisa. No Montijo, o que se fizer agora é o que fica feito. Há estudos, baseados nas previsões da Eurocontrol, que no final da década de 40 a solução Portela+1 estará esgotada. E vamos outra vez discutir um novo aeroporto. É irracional do ponto de vista dos interesses do país.»

«O que é que mudou para que os autarcas do PS que em 2010, 2011 defendiam a solução hoje não defendam? As necessidades, as qualidades das localizações, as perspectivas de crescimento do transporte aéreo não mudaram. Só mudou uma coisa: a chegada da Vinci. E é triste ver como [isso] fez mudar de opinião quem antes defendia Alcochete», acrescenta. Hoje, garante, «Alcochete podia estar quase a ser inaugurado».

Com esta solução, «aquilo que se quer mandar para a margem Sul são as sobras do Aeroporto Humberto Delgado. Não é uma alavanca para o crescimento nesta região», considera.

Continue a ler após a publicidade

O presidente da Câmara do Seixal defende ainda que nestes concelhos são 30 mil pessoas afectadas com ruído e da poluição com aviões a sobrevoar as suas habitações, serviços públicos e locais de trabalho a baixa altitude em direcção à península do Montijo» e que quer no Barreiro, quer na Moita «serão mais cerca de 60 mil».

«Se podemos fazer um aeroporto 20 km ao lado, com o mesmo investimento, em vez de prejudicar 90 mil pessoas prejudica cerca de 400, que é o que os estudos apontam, não temos nenhuma duvida sobre isso», insiste Joaquim Santos.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.