Estará Portugal preparado para enfrentar um pico de hospitalizações, concentrado num curto espaço de tempo, de doentes em estado crítico, a precisar de cuidados intensivos? Haverá camas de cuidados intensivos e ventiladores suficientes? Sem adiantar dados concretos, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, não respondeu directamente a esta pergunta, mas admitiu ao jornal Público que já foi feito “um apelo quer ao sector privado, quer ao social, quer ao militar para saber a quantidade de equipamentos que têm”.
Graça Freitas explicou, porém, na conferência desta sexta-feira, que não basta ter equipamentos. “São precisos profissionais que trabalhem com eles. São equipamentos muito especializados. Estamos, e ainda hoje aconteceu, a fazer um levantamento muito pormenorizado do parque de equipamentos instalados” E está a ser ponderada a possibilidade de usar ventiladores dos blocos operatórios que podem ser usados se as cirurgias não urgentes forem adiadas.
Os dados sobre os ventiladores disponíveis que têm sido divulgados são desencontrados. O pneumologista Filipe Froes, coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos para a covid-19, adiantou que existirão entre 500 a 600 ventiladores no país, em entrevista à RTP. Bem menos do que fariam supor os números divulgados esta semana pelo secretário de Estado da Saúde, António Sales – que revelou que Portugal tem actualmente no total, e para todo o tipo de doentes, 968 lugares em unidades de cuidados intensivos (dos quais 145 são neonatais e 85 pediátricos) e 593 camas em cuidados intermédios.
Já o deputado do PSD e médico Ricardo Baptista Leite avançou no Parlamento que “o nosso rácio de camas em cuidados intensivos por 100 mil habitantes oscila entre oito a nove, inferior ao de Itália, que é de 12”, especificou.










