Moskva já tem ‘substituto’. Imagens de satélite revelam progresso de novo navio de assalto da Rússia no Mar Negro

Imagens de satélite recentemente divulgadas mostram o avanço significativo da construção de uma nova fragata russa, que promete ser muito maior que o Moskva, o antigo cruzador de mísseis da Frota do Mar Negro destruído pela Ucrânia nos primeiros dias da guerra.

Pedro Gonçalves

Imagens de satélite recentemente divulgadas mostram o avanço significativo da construção de uma nova fragata russa, que promete ser muito maior que o Moskva, o antigo cruzador de mísseis da Frota do Mar Negro destruído pela Ucrânia nos primeiros dias da guerra. A publicação ucraniana Defense Express revelou imagens que documentam o progresso da construção de um dos dois navios de assalto anfíbio da classe Ivan Rogov, do projeto 23900, que estão sendo construídos pela Rússia.

De acordo com as imagens analisadas, o novo navio de guerra está a ser construído no estaleiro Zaliv, em Kerch, na Península da Crimeia, anexa à Rússia desde 2014. O navio de assalto anfíbio da classe Ivan Rogov é uma embarcação imponente, com cerca de 220 metros de comprimento e 40 metros de largura. Estes navios são projetados para transportar até 90 unidades de equipamento militar, incluindo até 15 helicópteros, e têm a capacidade de alojar até 900 fuzileiros navais.

O impacto do Moskva e os objetivos de Moscovo
A destruição do Moskva, o principal navio da Frota do Mar Negro, durante o conflito com a Ucrânia em 2022, foi um golpe significativo para o prestígio da Rússia, especialmente no que diz respeito à sua presença naval no Mar Negro. O Moskva afundou após ser atingido por mísseis ucranianos, embora Moscovo tenha inicialmente atribuído o incidente a um incêndio a bordo que teria causado uma explosão de munições.

A construção do Ivan Rogov parece ser uma tentativa de Moscovo restaurar a sua credibilidade naval, que sofreu perdas consideráveis no decorrer da guerra. A Rússia, apesar de estar atrasada na construção da fragata, tem feito progressos substanciais nos últimos meses, como revelado pelas recentes imagens de satélite, que indicam um avanço considerável em relação a imagens publicadas anteriormente, em julho de 2024, quando o casco do navio ainda estava apenas a começar a tomar forma.

O Ivan Rogov será significativamente maior que o Moskva, com um deslocamento estimado de 30.000 toneladas, comparado às 11.490 toneladas do Moskva. Em termos de capacidade, o Ivan Rogov poderá operar até 75 unidades de equipamento de combate, três aeronaves de desembarque menores e 15 helicópteros, incluindo modelos Ka-29 e Ka-52K. Em contraste, o Moskva tinha 186 metros de comprimento e uma capacidade de transporte muito inferior, o que coloca o novo navio russa como uma ameaça muito mais significativa no contexto militar.

Apesar do progresso notável na construção do Ivan Rogov, a Rússia enfrenta dificuldades para cumprir o cronograma de construção. Os testes iniciais de navegação foram adiados para 2027, e as previsões sobre a entrega do navio dentro do prazo estão a tornar-se cada vez mais pessimistas, conforme revelado pela Defense Express. O ritmo de construção e os atrasos podem impactar a eficácia do novo navio, que ainda está longe de ser operacional.

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O jornalista e documentarista Tim White, conhecido por sua análise de questões militares, comentou nas redes sociais que, embora o Ivan Rogov ainda não seja uma ameaça imediata, a Ucrânia poderia “ajudar o mundo” atacando o estaleiro em Kerch, onde os dois enormes navios de guerra estão a ser construídos. White observou que, apesar do desenvolvimento lento, a construção das fragatas russas continua e deve ser monitorizada de perto.

Com o novo Ivan Rogov a ser progressivamente construído, a Rússia busca recuperar a hegemonia naval no Mar Negro após a perda do Moskva. No entanto, o atraso no seu desenvolvimento e os desafios enfrentados na sua construção indicam que, até que o navio esteja operacional, a capacidade de projeção de força da Frota do Mar Negro ainda poderá ser limitada. O futuro desta fragata será decisivo para avaliar a verdadeira recuperação da potência naval russa na região.

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