Covid-19 tão “extraordinário” quanto o direito a compensações por perturbações em voos

A Associação de Defensores dos Direitos dos Passageiros (APRA) afirma que o coronavírus deve ser considerado uma “circunstância extraordinária”. Membros da associação recusam pedidos de compensação relacionados com perturbações em voos.

Sónia Bexiga

Neste momento, um dos efeitos negativos do surto do coronavírus é a confusão que se instalou entre passageiros e companhias aéreas, vem alertar a Associação de Defensores dos Direitos dos Passageiros (APRA), sublinhando que estes “merecem clareza e segurança jurídica na situação atual”.

Diante deste cenário, todos os membros da APRA decidiram “adotar a visão coletiva de que as perturbações em voos causadas diretamente pelo Covid-19 devem ser consideradas ‘circunstâncias extraordinárias’, refletindo o facto de a situação do coronavírus estar fora do controlo das companhias aéreas”, detalham, em comunicado.

Quanto a esta tomada de decisão, a presidente da APRA, Adeline Noorderhaven, explica que os membros da associação já começaram a recusar pedidos de compensação de passageiros com problemas em voos relacionados com o Covid-19.

“Os passageiros aéreos são um grupo muito vulnerável de consumidores. É nossa missão defendê-los sempre que os seus direitos não são respeitados” afirma a responsável. Contudo, reforça, “consideramos importante sermos realistas e razoáveis. A clareza e a segurança jurídicas são da maior importância na situação atual. A atual crise do Covid-19 ultrapassou o controlo das companhias aéreas e deve ser classificada como extraordinária. Ao avaliar as reivindicações caso a caso, ajudamos os passageiros e, ao mesmo tempo, mantemos a carga de trabalho das companhias aéreas administrável”.

“Ninguém beneficia com sistemas judiciais sobrecarregados, passageiros confusos e companhias aéreas frustradas”, conclui Adeline Noorderhaven.

Continue a ler após a publicidade

Defendendo que “agora, mais do que nunca, é crucial manter uma estrutura sólida nos direitos dos passageiros”, a responsável salienta que “é provável que esta crise acelere a batalha da concorrência na indústria da aviação, com prejuízo para as companhias de menor dimensão. Isso significa inevitavelmente uma redução significativa na escolha para o consumidor, preços mais altos e uma situação de oligopólio, deixando os passageiros ainda mais vulneráveis”.

 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.