Quase 30% dos empregos em Portugal estão em risco de colapso devido à IA e automação, revela estudo da FFMS

Um novo estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) analisa os efeitos da inteligência artificial (IA) e da automação no mercado de trabalho em Portugal, que se prevê que tenham um impacto significativo no mercado laboral.

André Manuel Mendes

Um novo estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) analisa os efeitos da inteligência artificial (IA) e da automação no mercado de trabalho em Portugal, que se prevê que tenham um impacto significativo no mercado laboral.

O policy paper, coordenado por Rui Baptista, professor catedrático do Instituto Superior Técnico, categoriza 120 profissões em quatro grupos distintos, de acordo com o seu nível de exposição à digitalização:

  • Profissões em ascensão (22,5% do emprego): associadas a competências avançadas e especialização tecnológica, apresentam um elevado potencial de crescimento e ganhos de produtividade.
  • Profissões em colapso (28,8% do emprego): fortemente ameaçadas pela automação, exigem estratégias urgentes de requalificação para evitar um impacto severo no desemprego.
  • Terreno dos humanos (35,7% do emprego): composto por ocupações de baixa exposição à automação e sem grande potencial para crescimento impulsionado pela IA.
  • Terreno das máquinas (13% do emprego): profissões onde a tecnologia já está amplamente integrada, permitindo benefícios de produtividade, mas com poucas oportunidades para o trabalho humano no futuro.

O estudo destaca que a maior parte dos trabalhadores portugueses encontra-se em profissões que, embora protegidas da automação, também não têm potencial de crescimento através da IA. Por outro lado, quase um terço do mercado laboral pode enfrentar desafios significativos devido à digitalização, com profissões tradicionalmente seguras, como as vendas, a serem agora fortemente ameaçadas.

A análise revela que a exposição à IA varia significativamente entre as regiões do país. Distritos como Lisboa, Porto, Coimbra e Vila Real apresentam maior concentração de profissionais em ascensão, enquanto regiões como Braga, Aveiro e Viseu registam uma elevada percentagem de empregos em colapso. Já os distritos do interior, como Beja, Évora e Guarda, apresentam uma menor exposição à digitalização, mantendo-se sobretudo no “terreno dos humanos”.

Além das diferenças regionais, o estudo alerta para as lacunas na formação académica e profissional, sublinhando a necessidade de adaptação dos currículos ao novo contexto tecnológico. A aquisição de competências digitais, a literacia em IA e a formação contínua são apontadas como essenciais para garantir a empregabilidade a longo prazo.

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Os autores defendem que as políticas públicas devem equilibrar a adoção tecnológica com mecanismos de proteção e requalificação dos trabalhadores mais vulneráveis. Entre as recomendações, destacam-se: a promoção da inovação e do empreendedorismo como motores do desenvolvimento regional; programas de requalificação direcionados para as profissões em risco de colapso; reformulação dos currículos educativos para incluir competências digitais e IA; estratégias regionais diferenciadas para mitigar os efeitos negativos da digitalização; reforço da proteção social e envolvimento das empresas na transição digital; incentivos para a adoção responsável da IA e da automação; monitorização e regulamentação ética das novas tecnologias.

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