A Direcção-Geral da Saúde (DGS) anunciou a aquisição de duas mil doses da vacina contra a gripe zoonótica, num esforço para prevenir eventuais surtos de influenza aviária no país. A medida surge no contexto do aumento global de focos da gripe das aves, em particular do subtipo influenza A (H5N1) de alta patogenicidade, que tem afetado tanto aves selvagens como domésticas.
A DGS justificou ao Público a decisão de adquirir as vacinas com a crescente disseminação da gripe aviária e com o risco de rearranjo genético do vírus, o que poderia aumentar a sua capacidade de transmissão para humanos. “O aumento de surtos e casos de gripe aviária a nível global, bem como o risco de rearranjo genético do vírus da gripe zoonótica, associado à necessidade de prevenção de epidemias ou até pandemias, justifica a criação de uma Reserva Estratégica Nacional de Vacina contra a Gripe Zoonótica (RENVGZ) em 2025”, pode ler-se na norma publicada pelo organismo.
As duas mil doses adquiridas correspondem à vacina Zoonotic Influenza Vaccine Seqirus e permitirão imunizar mil pessoas, dado que o esquema de vacinação prevê a administração de duas doses com um intervalo de três semanas.
Quem será vacinado?
A DGS especificou que a vacinação será direcionada a trabalhadores das equipas de resposta rápida e de gestão de focos de gripe zoonótica em animais, bem como a profissionais de laboratório envolvidos na colheita, manipulação e análise de amostras potencialmente contaminadas por vírus influenza zoonóticos.
“De acordo com as estimativas indicadas pelas instituições que incluem os trabalhadores elegíveis, Portugal tem vacinas suficientes. Caso venha a ser necessário, poderão ser adquiridas doses adicionais”, assegurou a DGS ao PÚBLICO.
Paralelamente, a DGS também anunciou o alargamento do acesso gratuito à vacina contra a gripe sazonal a determinados grupos profissionais. A medida visa reduzir o risco de coinfecção entre vírus da gripe zoonótica e o vírus da gripe sazonal, prevenindo possíveis rearranjos genéticos.
Dessa forma, além dos grupos anteriormente abrangidos pela vacina gratuita — como pessoas com 50 ou mais anos, grávidas, residentes em lares, doentes crónicos, profissionais de saúde e bombeiros —, passam também a estar incluídos “profissionais com risco de exposição direta a animais doentes ou mortos com suspeita de gripe zoonótica”.
Entre os trabalhadores agora abrangidos estão profissionais de laboratórios envolvidos na análise de vírus da gripe zoonótica, trabalhadores de estabelecimentos pecuários que lidam com o abate e descarte de resíduos, criadores de animais e equipas de gestão de surtos.




