A partir desta sexta-feira, Portugal continental e o arquipélago da Madeira vão ser fortemente afetados por superfícies frontais frias, trazendo chuva intensa, vento forte e agitação marítima. De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), estas condições meteorológicas adversas deverão prolongar-se pelo menos até domingo, 9 de março.
A meteorologista do IPMA Ângela Lourenço confirmou à agência Lusa que duas superfícies frontais atravessarão o país: uma na sexta-feira e outra no sábado. “Estas superfícies estão associadas a uma depressão em cavamento, que se aproxima da região noroeste da Península Ibérica e que irá afetar o estado do tempo pelo menos até domingo”, explicou.
Para esta sexta-feira, o IPMA prevê períodos de chuva ou aguaceiros em todo o território, que podem ser moderados a fortes, especialmente no litoral norte e centro a partir da tarde. O vento soprará com intensidade, podendo atingir rajadas de até 100 km/h nas terras altas e zonas costeiras.
O agravamento das condições levou o IPMA a emitir diversos avisos meteorológicos:
- Aviso amarelo de chuva para todos os distritos de Portugal continental entre as 15h00 de sexta-feira e as 00h00 de sábado.
- Aviso amarelo de vento para os distritos de Porto, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga, entre as 12h00 e as 21h00 de sexta-feira.
- Aviso amarelo de neve para a Guarda e Castelo Branco, com previsão de queda de neve a partir das 18h00 de sexta-feira e até às 18h00 de sábado, sobretudo nas serras do norte e centro acima dos 1.300/1.400 metros.
- A agitação marítima também será significativa, com ondas entre 2 e 3 metros na costa ocidental, aumentando para 4 a 5 metros ao longo da tarde de sexta-feira.
Sábado e domingo: descida das temperaturas e risco de cheias
O impacto da depressão será ainda mais acentuado no sábado, 8 de março, quando se espera uma descida significativa das temperaturas. “Vamos ter máximas a rondar os 13/14 graus no litoral e entre 2 a 5 graus no interior, com mínimas a descer para valores abaixo de zero nas regiões mais frias”, adiantou a meteorologista.
A queda de neve poderá estender-se à Serra da Estrela e a outras zonas montanhosas do norte e centro, com a cota a descer para os 1.200 metros ao final do dia de sábado.
A chuva continuará intensa ao longo do fim de semana, com acumulados significativos que poderão provocar inundações em algumas bacias hidrográficas. O risco de cheias é particularmente elevado nas bacias dos rios Tejo e Mondego, segundo previsões da LusoMeteo.
No domingo, 9 de março, o tempo manter-se-á instável, embora com uma ligeira melhoria. Prevê-se ainda precipitação, mas com tendência para ser menos intensa.
Madeira com vento severo e ondas até 7 metros
O arquipélago da Madeira também será fortemente atingido, sobretudo pelo vento e pela agitação marítima. O IPMA emitiu um aviso laranja para a costa norte da ilha da Madeira e para o Porto Santo, devido a ondas que poderão atingir os 7 metros entre as 03h00 e as 18h00 de sábado.
Além disso, a Madeira estará sob aviso amarelo devido à previsão de chuva intensa e vento forte, com rajadas que podem superar os 100 km/h nas zonas mais expostas da ilha. Está ainda prevista queda de neve nos pontos mais altos da Madeira entre sábado e domingo.
Açores: vento forte e mar muito agitado
Nos Açores, a previsão aponta para vento forte a muito forte, com rajadas até 100 km/h em todas as ilhas. A precipitação será menos intensa do que no continente, mas ainda assim há possibilidade de aguaceiros ocasionais. O mar estará muito agitado, com ondas que podem atingir os 6 metros, podendo pontualmente chegar aos 10 metros.
Próximos dias continuam instáveis
As previsões a médio prazo indicam que o estado do tempo deverá continuar instável em Portugal continental e nos arquipélagos durante os próximos dias. “Há um consenso de que choverá em todo o país até, pelo menos, 15 de março”, indicam os meteorologistas da LusoMeteo.
Com os acumulados de precipitação a ultrapassarem a média mensal já na primeira quinzena de março, especialistas alertam para o aumento do risco de cheias e para a possibilidade de impactos significativos nas principais bacias hidrográficas. “O cenário ideal seria que a chuva caísse mais no sul do país, onde as barragens ainda precisam de muita água, e que chovesse menos no centro e norte, mas as previsões ainda são incertas”, referem.
A instabilidade meteorológica poderá prolongar-se ao longo do mês, levantando dúvidas sobre um possível impacto nas condições climatéricas da primavera. No entanto, os meteorologistas sublinham que previsões mais detalhadas para o final de março e abril ainda são prematuras.





