Covid-19. Marta Temido justifica falta de controlo da temperatura nos aeroportos: «É possível mascarar»

A ministra da Saúde, Marta Temido, está esta terça-feira, no Parlamento, para explicar o que está a ser feito para conter o coronavírus em Portugal.

Ana Rita Rebelo

A ministra da Saúde, Marta Temido, disse esta terça-feira, no Parlamento, que Portugal não está a fazer o controlo de temperatura dos passageiros vindos de países com casos confirmados de coronavírus, porque «é possível mascarar a temperatura». Por outro lado, a governante referiu que uma alteração de temperatura pode dever-se a vários factores.

Marta Temido adiantou que, «alguns casos têm confidenciado que tomaram antipiréticos por sentirem os primeiros sintomas». A governante insistiu que essa é uma medida de «baixa efectividade», dando como exemplo o caso de Itália, o único país dos 27 que tinha aplicado o controlo de temperatura.



Recordou que foi já tomada a decisão de alargar as restrições aos voos que chegam de Itália e outras zonas infectadas, depois de Portugal confirmou, ontem, o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus.

Questionada sobre a actualização das informações no portal Direção-Geral da Saúde, a ministra admitiu «fragilidades», mas garantiu que, em breve, será disponibilizado um plano de contingência geral, que está, neste momento, «em afinações». Acrescentou, depois, que ainda esta semana será lançada uma campanha de informação para um público «mais indiferenciado» e com «menos literacia em saúde».

Sobre eventuais constrangimentos no acesso à linha SNS24, referiu que foi reforçada com 100 profissionais de enfermagem, embora admita que tenham existido falhas na segunda-feira, no dia em que foram confirmados os primeiros casos em Portugal. «Estamos a ser traídos pelo nosso próprio sucesso.»

«No momento de ontem à tarde, a linha de apoio ao médico, que estava a servir estes dois hospitais [Santo António e São João, no Porto] estava mais congestionada que aquilo que desejaríamos e isso foi interpretado como falhas na própria capacidade de resposta dos hospitais», explicou Marta Temido, sublinhando de seguida que não se deve fazer desse momento «um problema»

Ainda neste contexto, apelou para que os cidadãos não liguem para a linha a solicitar informações gerais. Nesses casos, recomenda o envio de e-mails.

A governante está no Parlamento para explicar o que está a ser feito para conter o coronavírus em Portugal. Trata-se de uma antecipação da agenda, uma vez que amanhã ia ser votado um requerimento do CDS a pedir uma nova audição da responsável da Saúde, para falar sobre o Covid-19.

Os primeiros dois casos confirmados de infecção por Covid-19 em Portugal foram confirmados ontem, 2 de Março, em dois homens: um de 60 anos que esteve de férias em Itália e outro de 33 anos que esteve em Valência, Espanha, em trabalho.

O director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse esta terça-feira que as autoridades estão a operar em «território desconhecido» no combate ao novo coronavírus, que já infectou mais de 90 mil pessoas em várias dezenas de países.

«Nunca tínhamos visto um patogênico respiratório que é capaz de uma transmissão comunitária, mas que pode ser contido com as medidas certas» escreveu no Twitter, sublinhando que «conhecer e perceber uma epidemia é o primeiro passo para a derrotar».

O surto de Covid-19, detectado em Dezembro, na China, já provocou mais de três mil mortos e infectou quase 90 mil pessoas em 67 países, incluindo em Portugal. Das pessoas infectadas, cerca de 45 mil recuperaram.

Além de 2.912 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas.

A Organização Mundial da Saúde elevou a ameaça internacional do novo surto de coronavírus para «muito elevada», reiterando que o vírus pode transformar-se numa pandemia.

*Notícia actualizada com mais informação ás 16:55

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