Zelensky adia visita à Arábia Saudita para evitar dar “legitimidade” a negociações entre EUA e Rússia

Presidente ucraniano critica negociações conduzidas sem Kiev e alerta para decisões tomadas “nas suas costas”.

Pedro Zagacho Gonçalves

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, adiou a sua visita à Arábia Saudita para evitar dar “legitimidade” à reunião que decorreu esta terça-feira, em Riade, entre altos representantes dos Estados Unidos e da Rússia. A informação foi avançada à Reuters por duas fontes familiarizadas com o assunto.

Falando a partir da Turquia, onde se encontrou com o presidente Recep Tayyip Erdoğan, Zelensky confirmou o adiamento da visita, inicialmente agendada para quarta-feira, 28 de fevereiro, e agora remarcada para 10 de março. O chefe de Estado ucraniano justificou a decisão com a necessidade de evitar “qualquer coincidência” com a reunião entre Washington e Moscovo.

“Não queremos que qualquer coisa que aconteça em Riade pareça ter a nossa aprovação”, afirmou uma das fontes citadas pela Reuters.

Durante a sua passagem por Ancara, Zelensky revelou que não foi convidado para o encontro entre os chefes da diplomacia norte-americana e russa, Marco Rubio e Sergey Lavrov. Apesar disso, Washington e Moscovo anunciaram que concordaram em avançar com esforços para pôr fim à guerra na Ucrânia.

“Não queremos que ninguém decida nada nas nossas costas… Nenhuma decisão pode ser tomada sem a Ucrânia sobre como terminar a guerra na Ucrânia”, declarou Zelensky, num claro aviso tanto aos EUA como à Rússia.

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Desde a sua tomada de posse, a 20 de janeiro, o presidente norte-americano Donald Trump tem reiterado a promessa de encerrar rapidamente o conflito, pressionando para o início imediato de negociações de paz. No entanto, declarações de alguns dos seus principais assessores levantaram dúvidas sobre a estratégia da nova administração.

EUA descartam adesão da Ucrânia à NATO e põem em causa recuperação territorial
Na semana passada, o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse aos aliados da NATO que seria “irrealista” pensar que a Ucrânia poderia aderir à aliança como parte de um eventual acordo com a Rússia. Além disso, referiu que as esperanças de Kiev em recuperar os territórios ocupados, incluindo a Crimeia e o Donbass, eram um “objetivo ilusório”.

Após o impacto negativo das suas declarações, Hegseth recuou parcialmente, tentando suavizar o tom das suas observações. No entanto, as suas palavras deixaram muitos ucranianos apreensivos quanto ao papel que os EUA poderão desempenhar no futuro do país.

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Trump fala com Zelensky e Putin, aliados europeus preocupados
Nos últimos dias, Trump realizou chamadas telefónicas separadas com Zelensky e com o presidente russo Vladimir Putin, o que gerou receios entre os aliados europeus da Ucrânia. A principal preocupação prende-se com a possibilidade de os EUA conduzirem um processo de paz sem envolver plenamente Kiev e os seus parceiros ocidentais.

Países como a Polónia e os Estados bálticos já expressaram o receio de que uma negociação conduzida exclusivamente entre Washington e Moscovo possa resultar em concessões a Putin, colocando em risco a segurança da Europa Oriental.

Zelensky, por sua vez, tem insistido que qualquer solução para o conflito deve passar por consultas diretas com Kiev e pelo respeito pela integridade territorial da Ucrânia. No entanto, com as grandes potências a movimentarem-se nos bastidores, o futuro da guerra continua a ser incerto.

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