A patrulha fronteiriça dos Estados Unidos (U.S. Border Patrol) deteve 29 mil migrantes que cruzaram ilegalmente a fronteira com o México em janeiro, o número mais baixo registado desde maio de 2020. Os dados, divulgados esta terça-feira pela agência norte-americana de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), indicam uma acentuada queda nas travessias, um fenómeno que pode continuar sob a presidência de Donald Trump.
Em comparação com dezembro, quando 47 mil pessoas foram detidas ao tentar entrar ilegalmente nos EUA, os números revelam uma diminuição significativa. A tendência de queda contrasta com os recordes registados durante a administração de Joe Biden, quando, em dezembro de 2023, os agentes fronteiriços detiveram cerca de 250 mil migrantes.
Desde que tomou posse a 20 de janeiro, Donald Trump, do Partido Republicano, implementou uma série de ordens executivas para restringir a imigração ilegal. Entre as medidas adotadas estão o envio de tropas militares adicionais para reforçar a segurança na fronteira, o bloqueio de pedidos de asilo e o aumento das deportações de migrantes que já se encontram nos Estados Unidos.
Durante o seu mandato, Biden, do Partido Democrata, tentou controlar o fluxo migratório através de novas políticas. Em junho de 2024, restringiu a possibilidade de migrantes que cruzassem a fronteira ilegalmente pedirem asilo e negociou com o México e outros países medidas para travar a imigração irregular. Como resultado, registou-se uma redução significativa nas detenções. Em paralelo, Biden lançou programas de entrada legal, que, segundo a sua administração, ajudaram a desencorajar travessias ilegais.
Pete Flores, comissário interino da CBP, sublinhou, em comunicado, que a diminuição das travessias permite que os agentes possam focar-se noutros aspetos da aplicação da lei. “Menos cruzamentos significam que mais oficiais e agentes podem agora dedicar-se a tarefas de fiscalização que tornam a nossa fronteira mais segura e o nosso país mais protegido”, afirmou.
Apesar da queda no número de detenções, a revogação de várias políticas migratórias da administração Biden por Trump gerou incerteza entre os migrantes. Uma das principais mudanças foi o encerramento do programa CBP One, uma aplicação que permitia a migrantes no México agendar uma reunião para solicitar entrada legal nos EUA.
A suspensão repentina deste programa deixou muitos migrantes já inscritos sem alternativas, criando situações de impasse em território mexicano. Muitos não sabem agora quais os seus próximos passos, aumentando a pressão sobre as autoridades e organizações de apoio a migrantes na região.
A política de imigração da administração Trump continua a ser um dos temas centrais do seu governo e um ponto de discórdia no debate político nos EUA. Enquanto defensores da restrição migratória argumentam que medidas mais duras são essenciais para a segurança nacional, críticos acusam Trump de adotar políticas desumanas que ignoram o direito ao asilo e colocam milhares de pessoas em risco.







