No meio de uma crescente pressão para que a União Europeia se torne mais independente em termos de defesa, uma velha ferramenta pode ganhar nova relevância. O Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), criado em 2011 durante a crise da dívida, está novamente a ser considerada como uma potencial solução para financiar a defesa europeia em tempos de incerteza.
Este fundo, que já foi fundamental para salvar o euro, pode ser a chave para garantir os recursos necessários para um aumento significativo nos gastos militares exigidos pela atual conjuntura geopolítica, explica o ‘elEconomista’.
Em 2012, a situação financeira da Zona Euro estava à beira do colapso, e foi o MEE que permitiu à União Europeia estabilizar. Agora, com as crescentes ameaças externas e a pressão dos EUA para que a Europa invista mais na sua própria defesa, os líderes europeus começam a estudar como financiar esses gastos sem sobrecarregar ainda mais as finanças dos países membros. O MEE, inicialmente destinado a ajudar países em crise, pode agora ser utilizado para sustentar o financiamento de uma defesa comum mais robusta.
Com um orçamento capaz de emprestar até 700 mil milhões de euros, o MEE oferece uma solução viável para a União Europeia enfrentar os custos de um exército mais forte, embora não tenha capacidade para cobrir todas as necessidades de gastos militares.
A proposta de emitir Eurobonds, como foi feito durante a pandemia com o NextGenerationEU, também está a ser discutida como uma forma de complementar os recursos do MEE, mas a emissão de dívida traz consigo preocupações sobre o aumento do endividamento da Zona Euro.
No entanto, o MEE sozinho não será suficiente para cobrir todas as necessidades de defesa, especialmente num cenário de gastos estimados em biliões de euros nos próximos anos. A combinação de recursos do MEE com a emissão de novas dívidas pode ser a solução, mas isso também pode gerar pressões nos mercados financeiros, levando a um aumento nos rendimentos dos títulos europeus e, possivelmente, à intervenção do Banco Central Europeu (BCE), como já ocorreu durante a crise da pandemia.





