O ex-presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, será ouvido como testemunha na Operação Pretoriano através de videoconferência a partir da sua residência, devido ao seu estado de saúde. O tribunal considerou desnecessária a deslocação do antigo dirigente portista ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC), viabilizando a sua audição à distância.
A decisão, a que o jornal Público teve acesso, surge depois de Pinto da Costa ter sido chamado pela defesa de Fernando Madureira, ex-líder da claque Super Dragões, mas não ter podido comparecer presencialmente na sessão de 10 de janeiro devido ao agravamento do seu estado de saúde. O testemunho do antigo presidente do FC Porto está agora agendado para o dia 26 de fevereiro, a partir das 10h, e será registado para memória futura, podendo ser utilizado no julgamento, que terá início a 17 de março.
A Operação Pretoriano está centrada nos incidentes de violência ocorridos durante a assembleia geral extraordinária do FC Porto, em novembro de 2023. O Ministério Público (MP) acusa Fernando Madureira, a sua mulher e vários outros elementos da claque Super Dragões de terem criado um ambiente de intimidação e violência contra sócios do clube.
Ao todo, 12 pessoas foram constituídas arguidas no processo, todas enfrentando os mesmos 31 crimes: 19 de coação agravada, sete de ofensa à integridade física no âmbito de espetáculos desportivos, três de atentado à liberdade de informação, um de instigação pública a um crime e outro de arremesso de objeto.
Fernando Madureira, figura central do processo, liderou os Super Dragões durante cerca de duas décadas e tornou-se uma das personalidades mais conhecidas do universo portista fora das quatro linhas. A investigação destaca também o seu estilo de vida luxuoso, caracterizado por carros de gama alta, viagens de luxo e imóveis.
Para além da Operação Pretoriano, Madureira está ainda sob escrutínio noutras investigações. A Operação Bilhete Dourado foca-se num alegado esquema de revenda de bilhetes cedidos pelo FC Porto à claque, que seriam vendidos a preços inflacionados. O ex-líder dos Super Dragões está também a ser investigado por suspeitas de fraude fiscal, numa terceira linha de inquérito que procura apurar se os lucros obtidos com este esquema foram mascarados para escapar ao fisco.
A fase de instrução da Operação Pretoriano decorreu à porta fechada, devido a receios de confrontos entre membros dos Super Dragões e apoiantes dos arguidos. Agora, o Ministério Público pretende que o julgamento também decorra sem publicidade, mas ainda não foi tomada uma decisão final sobre essa matéria.






