O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, afirmou esta quinta-feira que a Ucrânia não aceitará qualquer acordo de paz negociado entre os Estados Unidos e a Rússia sem a participação de Kyiv. O líder ucraniano sublinhou ainda a necessidade de a Europa estar envolvida nas negociações para pôr fim à guerra, alertando para os riscos de um entendimento bilateral entre Washington e Moscovo.
As declarações de Zelenskiy foram feitas durante uma visita a uma central nuclear, a caminho da Conferência de Segurança de Munique. O presidente ucraniano reagiu à recente conversa telefónica entre o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, na qual foi anunciada a abertura de negociações sobre o conflito.
“Nós, enquanto país independente, simplesmente não poderemos aceitar quaisquer acordos sem a nossa participação”, afirmou Zelenskiy aos jornalistas.
A possibilidade de um entendimento direto entre Washington e Moscovo tem causado preocupação na Europa, especialmente após declarações do secretário da Defesa dos EUA, que sugeriu que a adesão da Ucrânia à NATO não é viável e que o regresso às fronteiras anteriores a 2014 não seria realista.
“Hoje, o importante é garantir que as coisas não sigam o plano de Putin, que pretende transformar as negociações num processo exclusivamente bilateral com os Estados Unidos”, alertou Zelenskiy.
O presidente ucraniano insistiu que Kyiv e Washington devem elaborar um plano para acabar com a guerra antes de envolverem Moscovo em qualquer negociação.
Zelenskiy quer encontrar-se com Trump antes de este se reunir com Putin
A Ucrânia tem vindo a pressionar para um encontro entre Zelenskiy e Trump antes de qualquer reunião entre o presidente norte-americano e Putin. No entanto, até ao momento, não há qualquer confirmação oficial sobre essa possibilidade.
Na quarta-feira, Trump referiu que espera reunir-se com Putin no futuro, possivelmente na Arábia Saudita. Questionado sobre o facto de Trump ter falado primeiro com Putin antes de o contactar, Zelenskiy minimizou a situação, afirmando que não interpretava o gesto como um sinal claro das prioridades de Washington, embora tenha admitido que foi “desagradável”.
Por outro lado, revelou que não discutiu a adesão da Ucrânia à NATO durante a sua conversa com Trump, embora tenha conhecimento de que os Estados Unidos se opõem a essa perspetiva.
À medida que se aproxima o terceiro aniversário da invasão russa, a situação no terreno continua a ser preocupante para Kyiv. A Rússia controla atualmente cerca de um quinto do território ucraniano e tem avançado lentamente no leste do país nos últimos meses. Enquanto isso, o exército ucraniano, com menos efetivos e recursos, enfrenta dificuldades em conter o avanço russo e manter o controlo sobre algumas áreas no oeste da Rússia.
Com os desafios no campo de batalha e o risco de negociações que excluam Kyiv, a Ucrânia continua a insistir na sua participação ativa em qualquer processo de paz, garantindo que o futuro do país não seja decidido sem a sua voz na mesa das negociações.









