PJ faz buscas na Câmara de Valongo em caso de suspeitas de corrupção na McDonald’s

Em causa estarão favores ilícitos relacionados com o licenciamento de um restaurante da McDonald’s naquele concelho.

Executive Digest

O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto está a investigar um alegado esquema de corrupção ativa, prevaricação e corrupção no setor privado, que envolve Carlos Moura Guedes, empresário do setor imobiliário e dono da empresa Imopartener, e um vereador da Câmara Municipal de Valongo. Em causa estarão favores ilícitos relacionados com o licenciamento de um restaurante da McDonald’s naquele concelho.

Segundo informação avançada pelo Jornal de Notícias (JN), Carlos Moura Guedes terá conseguido, por meio de doações ao Clube de Propaganda de Natação de Valongo, garantir o apoio do autarca na aceleração do processo urbanístico. O vereador, cujo nome não foi revelado, terá exigido ao empresário que, entre 2020 e 2022, realizasse donativos ao clube desportivo como contrapartida pela rápida conclusão do processo.

Além de alegados crimes de corrupção ativa e prevaricação na Câmara de Valongo, o inquérito investiga também suspeitas de corrupção no setor privado. O principal alvo desta parte da investigação é Pedro Salvador, diretor da área de expansão da McDonald’s Portugal, que terá sido corrompido por Carlos Moura Guedes.

De acordo com o JN, o empresário, que tinha a multinacional como um dos seus principais clientes, terá obtido informações privilegiadas sobre os projetos de novas lojas da McDonald’s a instalar em vários concelhos do Norte do país, incluindo Valongo. Em troca do acesso antecipado a estas informações e das decisões que beneficiariam os seus interesses comerciais, Carlos Moura Guedes terá feito diversas entregas de dinheiro a Pedro Salvador, entre os anos de 2020 e 2022.

O nome de Carlos Moura Guedes já estava envolvido noutro caso mediático de corrupção no setor imobiliário, relacionado com o ex-juiz Hélder Claro, que foi expulso da magistratura em maio de 2024.

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O Ministério Público (MP) do Porto acusa o empresário e o ex-magistrado de terem obtido cerca de um milhão de euros em dois negócios imobiliários que envolveram a cadeia de supermercados Aldi. Para garantir esses negócios, o esquema teria passado pela corrupção de um prospetor de mercado da empresa alemã.

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