Há cada vez mais médicos estrangeiros a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde: de acordo com Ministério da Saúde, em 2024 havia 974 profissionais no SNS, mais 7,2% do que no ano anterior, avançou esta terça-feira o jornal ‘Público’. Apesar dos números ‘mais generosos’, representam apenas 3% dos 31.988 médicos no SNS, sendo que apenas 17,6% dos 5.530 clínicos inscritos na Ordem dos Médicos está no SNS, ou seja, a maioria está no setor privado.
“Muitos entram no país pelo SNS, mas logo que estabelecem boas ligações, acabam por migrar para o setor privado”, apontou Allan França, médico brasileiro em Portugal desde 2018. “E não se trata de salários, até porque a diferença em relação ao SNS não é assim tão grande. O que atrai os profissionais para a rede privada é a carga horária mais baixa e as infraestruturas de melhor qualidade”, referiu. “Nos hospitais privados, os médicos não correm o risco de ter de ficar 24 ou 48 horas a trabalhar porque faltou um colega.”
O movimento encontra reflexo entre os médicos portugueses, salientou Nuno Jacinto. “Falta uma política de Estado para a área da saúde pública. Estamos a perder equipas devido à precariedade do sistema, que sobrevive à base de pacotes que variam de acordo com o Governo em funções”, criticou. “Não se pode, por exemplo, fazer com que os ordenados dependam de horas extraordinárias para atingir um nível que seja razoável. Faltam investimentos na base, na valorização das pessoas”, lembrou o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.
O descontentamento com o SNS é tal que diariamente os médicos estrangeiros são ‘inundados’ por ofertas de emprego no SNS, mas poucos as aceitam. “Alguns acabam por aceitar algo temporário para estabelecer relacionamentos profissionais. Isso acontece, principalmente, com os médicos que acabaram de chegar a Portugal. Como não há necessidade de concurso, basta a validação dos diplomas e a aprovação nas três fases das provas impostas pelas universidades, o sistema público de saúde acaba por ser um caminho mais fácil para os novatos. Esses médicos vão para as emergências, como clínicos gerais”, reforçou Allan França, cirurgião geral e médico do trabalho.
Dos 974 médicos estrangeiros em atividade no SNS, mais de metade concentra-se em cinco nacionalidades: 448 são espanhóis; 73 ucranianos; 61 brasileiros; 36 italianos; e 30 angolanos.














