Daqui a mil anos, nenhum de nós estará vivo para ver como será o mundo e os seus habitantes. No entanto, a ciência tem resposta para isso, segundo indicaram os britânicos do ‘Daily Mail’, que conversaram com especialistas para saber como serão os humanos no ano 3025 e utilizaram Inteligência Artificial – através da ferramenta ImageFX da Google – para prever como a evolução dos nossos descendentes.
De acordo com os especialistas, os humanos no futuro terão uma aparência muito mais uniforme, com uma pele mais escura, e, felizmente, mais atraentes do que somos atualmente. No passado, a maior força motriz da evolução veio da morte dos humanos antes de terem a chance de se reproduzir e transmitir os seus genes. No entanto, graças à medicina moderna, cada vez mais pessoas estão a viver o suficiente para ter filhos, o que significa que será uma força diferente a que determinará que genes se vão tornar mais comuns.
“No passado, isso sempre funcionou para que algumas crianças não sobrevivessem, mas a questão é que a evolução também afeta a fertilidade, ou seja, quantas crianças nascem”, apontou Mark Thomas, geneticista evolucionista da University College London. Ou seja, pessoas que têm mais filhos têm maior probabilidade de transmitir os seus genes, o que levou alguns cientistas a sugerir que isso poderia tornar os humanos mais baixos no futuro. Thomas deixou claro que esta é apenas “uma teoria entre muitas”. Atingir a maturidade sexual precocemente permite que os organismos têm mais filhos ao longo da vida, mas isso parece ter uma compensação entre uma diminuição no tamanho.
“Este é um dos argumentos que foram apresentados para explicar por que populações de pigmeus existem em muitas partes do mundo. As suas vidas são relativamente curtas porque a vida na floresta é difícil, então eles trocaram a maturação sexual pelo crescimento físico”, apontou.
À medida que menos pessoas morrem, o fator mais importante que impulsiona a evolução será o número de filhos que podem ter: curiosamente, um possível efeito disso é que isso pode acabar por tornar os homens mais atraentes. “O estado natural das coisas nos mamíferos é que as fêmeas tomem todas as decisões. Mas se têm patriarcados fortes, como há em muitos lugares no mundo, estão os homens acabam por fazer muitas das escolhas e do controlo.”
À medida que as sociedades se liberalizam e as mulheres se tornam cada vez mais capazes de escolher os seus próprios parceiros, essa pressão seletiva pode aumentar. “Felizmente, estamos a caminhar para um mundo onde são as fêmeas que escolhem, e elas escolherão os machos que gostam por uma razão ou outra”, salientou Thomas. “Pode ser por causa do cérebro, por causa do sucesso, porque elas têm boa aparência ou são musculosas, mas como há mais opções femininas, seria de se esperar que essas características aumentassem”, referiu o académico, salientando que, ao longo dos próximos milhares de anos, à medida que homens mais atraentes transmitem os seus genes com mais sucesso, a humanidade pode tornar-se um pouco mais atraente.
Pele mais escura e aparência mais uniforme
Uma das maiores mudanças que os especialistas esperam ver é que a humanidade se tornará muito mais uniforme na aparência.
Durante grande parte da história humana, populações individuais permaneceram relativamente isoladas umas das outras. Quando grupos pequenos e isolados se reproduzem, a taxa de deriva genética (flutuações aleatórias nas frequências genéticas) tende a ser maior, tornando-os mais distintos de outras populações.
No entanto, em comparação com o passado, pessoas de diferentes etnias misturam-se com muito mais frequência. “Uma coisa que pode acontecer no futuro é a quebra da estrutura populacional”, explicou Jason Hodgson , professor sénior de bioinformática e big data na Universidade Anglia Ruskin (Reino Unido). “As tendências atuais nos Estados Unidos, pelo menos, sugerem que os casamentos interraciais estão a tornar-se mais comuns. Se esse padrão continuar, veremos uma estrutura demográfica menor.”
A nível individual, isso significa que o ser humano médio do futuro será mais diverso geneticamente, herdando características de um número maior de populações. Mas a nível populacional, isso pode levar a menor variação. “Em termos de aparência, pode-se ver que as pessoas estão um pouco no meio termo”, referiu Hodgson. “Se pensarmos numa das poucas características que varia entre as populações — a cor da pele — a maioria das pessoas seria um pouco escura, por exemplo”, salientou, ressaltando que um bom ponto de referência seria a população moderna do Brasil ou das Maurícias, onde os grupos étnicos se misturam há várias gerações.
As novas tecnologias podem dar aos humanos a capacidade de moldar a própria evolução. “Pergunto-me se a evolução vai poder prosseguir naturalmente num futuro distante”, indicou Hodgson. Nos Estados Unidos, já existem empresas que oferecem serviços de “bebés de design” que pretendem ajudar os pais a selecionar características como altura, inteligência e género.
Se essas tecnologias se espalharem sem controlo, as características genéticas antes raras na população poderão tornar-se significativamente mais comuns. “Num futuro distante, poderemos ver mudanças muito significativas, e elas podem ocorrer potencialmente na escala de uma única geração”, frisou o especialista.
“Se olharmos para o futuro, as mudanças culturais e tecnológicas serão quase certamente mais fortes do que as mudanças genéticas na humanidade como um todo”, referiu John Hawks, antropólogo da Universidade de Wisconsin-Madison. “Muitas delas afetam a aparência: pode-se imaginar tatuagens que mudam de cor, todo o tipo de modificação corporal, novos modos de expressão que surgem da combinação dos corpos com a tecnologia”, continuou o especialista.
Cérebros menores
Robert Brooks, biólogo evolucionista da Universidade de New South Wales, em Sydney (Austrália), sublinhou que espera ver os cérebros humanos a ficarem menores com o tempo: a sua teoria defende que, à medida que os computadores assumem dimensões mais computacionais, factuais e sociais da vida, a vantagem de ter um cérebro grande diminui, o que pode tornar o desenvolvimento futuro dos humanos semelhante ao de um animal doméstico. “Podemos dizer que estamos a tornar-nos uma espécie de macaco domesticado, mas curiosamente, um macaco domesticado por nós mesmos”, realçou Nicholas Longrich, paleontólogo e biólogo evolucionista da Universidade de Bath.
“As ovelhas perderam 24% da sua massa cerebral após a domesticação; vacas, 26%; cães, 30%. Isso levanta uma possibilidade perturbadora. Talvez a tendência de seguir passivamente o fluxo (talvez até pensar menos), como um animal doméstico, já esteja enraizada em nós, como foi neles”, frisou.
Costas curvadas e mãos torcidas
Outros estudos sugeriram que o uso crescente da tecnologia poderia levar a outras mudanças não evolutivas. Isso pode incluir humanos com corcundas mais pronunciadas por olharem para computadores o dia todo ou desenvolverem mãos tortas e superdesenvolvidas por uso de telemóveis. Da mesma forma, a especialista em sono Sophie Bostock previu anteriormente que a privação de sono em humanos poderia começar a causar grandes mudanças em nossos corpos – o tempo de sono vai reduzir-se devido ao uso de tecnologias.
Bostock prevê que em 25 anos o ser humano médio terá dores crónicas nas costas, cabelos finos, pele flácida, pernas inchadas e olhos vermelhos e olheiras. Sofrerão ainda com o enfraquecimento dos músculos dos braços e pernas e estarão cada vez mais propensos à gripe devido ao sistema imunológico fraco. Entretanto, essas mudanças não ocorreriam no nível genético, pois não haveria vantagem evolutiva em transmiti-las.
Adaptações para o espaço
Se uma parte da humanidade se aventurasse no espaço, não seria totalmente inconcebível que esse grupo evoluísse lentamente para longe da população restante na Terra. ” população humana na Terra é muito grande e diversa, mas viagens espaciais de longo prazo criam o potencial para pequenas populações fundadoras que permanecem separadas por milénios”, apontou John Hawks, antropólogo da Universidade de Wisconsin-Madison. “Estabelecer uma população humana sustentável noutro sistema estelar após uma jornada de milhares de anos não seria fácil. Mas tal cenário daria origem à possibilidade de especiação”, continuou.
Em Marte, os humanos receberiam apenas 66% da luz solar e 38% da força gravitacional à qual são expostos na Terra. Para se adaptar ao espaço, os humanos podem-se tornar mais altos e desenvolver braços mais longos para ter um melhor desempenho em condições de baixa gravidade.
Mesmo na Estação Espacial Internaciona , a NASA diz que os astronautas podem crescer cerca de 3% nos primeiros dias no espaço, pois as suas espinhas esticam-se devido à baixa gravidade. Da mesma forma, assim como aconteceu quando os humanos antigos migraram para o norte da Europa, os humanos do futuro podem ficar mais pálidos para maximizar a quantidade de vitamina D derivada da pouca luz. Por último, os olhos humanos também podem tornar-se maiores e mais sensíveis à visão em condições de pouca luz ou melhorados com uma série de melhorias tecnológicas.




















