País europeu que estava prestes a abandonar a energia nuclear até 2025 agora quer duplicar a sua produção

Primeiro-ministro, Bart de Wever, confirmou um pacto para reanimar a economia belga com uma reforma do mercado de trabalho, pensões, um plano de produção industrial, reduções de impostos… mas também com uma reforma do modelo energético baseada numa verdadeira ressurreição da energia nuclear

Francisco Laranjeira

O novo Governo da Bélgica vai marcar uma reviravolta de 180 graus para o que já foi um dos grandes bastiões antinucleares do Velho Continente: num acordo que envolveu negociações entre os cinco principais partidos políticos do país, o novo primeiro-ministro, Bart de Wever, confirmou um pacto para reanimar a economia belga com uma reforma do mercado de trabalho, pensões, um plano de produção industrial, reduções de impostos… mas também com uma reforma do modelo energético baseada numa verdadeira ressurreição da energia nuclear.

A lei de 2003 impôs uma eliminação gradual da energia nuclear, com prazo até 2025, para fechar 100% das suas centrais: o Governo anterior já havia adiado essa legislação e, em 2023, optou por encerrar os reatores em 2025 e reabilitar dois deles (Doel 4 e Tihange 3) em 2026, tendo em vista as perspetivas incertas – estas duas centrais seriam estendidas por dez anos para terem alguma produção própria e algum suporte numa década complicada.

Agora, o foco mudou completamente e não é mais apenas uma questão de sobrevivência temporária. Bruxelas quer fazer da energia de urânio a sua segunda maior fonte de produção de eletricidade, depois da energia renovável. Para esse fim, o novo Governo abolirá completamente a lei de desconexão nuclear. Não é mais uma questão de prazos; a Bélgica terá a energia nuclear como um dos principais argumentos para manter o seu fornecimento de energia.

Segundo Bart de Wever, não só estes dois reatores serão reativados em 2026, como também serão reativados para recuperar toda a sua potência nuclear, que atualmente conta com cinco reatores operacionais. O responsável salientou que em estudo está a construção de duas novas centrais de raiz – atualmente, a sua infraestrutura permite uma capacidade de 4.000 megawatts-hora. A nova construção elevará a capacidade do país para 8.000.

Segundo dados da AIE, a energia nuclear responde atualmente por 63% da produção total de eletricidade do país e representa 19% de sua matriz energética. “A procura por eletricidade na Bélgica vai aumentar significativamente nos próximos anos devido à eletrificação de indústrias e residências. O rápido crescimento de data centers e tecnologias de Inteligência Artificial aumentará ainda mais essa procura por eletricidade”, salientou Magali Vercammen, gerente geral sénior da KPMG, citado pela publicação ‘El Economista’.

Continue a ler após a publicidade

De acordo com Vercammen, a Bélgica vai precisar de 50 mil milhões de euros para construir uma infraestrutura poderosa o suficiente para adicionar 8 gigawatts de energia nuclear até 2050, sendo que a próxima década será fundamental nesse processo.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.