A OnlyFans está a ser processada em Portugal por “violar a privacidade e manipular dados pessoais e íntimos” dos seus utilizadores, avançou esta segunda-feira a ‘CNN Portugal’: a associação ‘Citizen’s Voice’ indicou que os subscritores que recorrem a este serviço estão a falar com estranhos contratados para o efeito em vez que trocarem mensagens com as pessoas anunciadas.
Os ‘chatters’ são pessoas contratadas por agências de gestão de conteúdos – ou pela própria plataforma erótica – para passarem por criadores de conteúdo que os clientes pagam. “São treinados para parecerem genuínos, respondendo a mensagens e participando em chats ao vivo sob falsa identidade”, acusou a associação, garantindo que isso tem conduzido muitos utilizadores a partilhar informações pessoais e íntimas, “julgando que estão a interagir diretamente com os criadores, quando na realidade estão a interagir com terceiros desconhecidos que os estão a manipular e a utilizá-los de forma enganosa”.
A ação judicial deu entrada no Juízo Central Cível de Lisboa e exige que esta prática seja banida em Portugal e que sejam pagas indemnizações aos subscritores lesados. A Justiça portuguesa vai analisar o caso num momento em que a plataforma está a ser processada pelo mesmo motivo em outros países – nos EUA, vários utilizadores levaram a Fenix International, empresa-mãe da OnlyFans, a tribunal por fraude.
“Esta estratégia da plataforma consubstancia a prática de publicidade enganosa”, sublinhou Otávio Viana, presidente da Citizen’s Voice, lembrando que “os consumidores acham que estão a pagar para interagir com determinada pessoa e, na verdade, estão a conversar com um estranho pago para as enganar”. “O que descobrimos é que quando o consumidor paga aquele serviço, predispõe-se a partilhar dados pessoais com aquela pessoa que identifica como sendo um criador de conteúdos e que julga que é quem lhe está a responder. Mas, na verdade, quem está a ter acesso aos seus dados é alguém que ele desconhece absolutamente, elevando o risco de os seus dados serem utilizados para beneficiar terceiros”, rematou.
“Tudo isto é feito sem consentimento, o que é extremamente preocupante porque facilmente alguém consegue aceder a esse conteúdo, muitas vezes de cariz erótico, e chantagear a outra parte com a revelação desse mesmo conteúdo”, salientou.











