Governo israelita pede plano ao Exército para a “saída voluntária” de palestinianos de Gaza

Deslocação de palestinianos é uma das questões mais sensíveis e explosivas no Médio Oriente, constituindo-se mesmo com um crime de guerra, proibido pelas Convenções de Genebra de 1949

Francisco Laranjeira

O ministro da defesa de Israel ordenou esta quinta-feira que o Exército preparasse um plano para permitir a “saída voluntária” dos moradores de Gaza, na sequência do anúncio de Donald Trump de que os EUA iriam assumir o controlo do enclave. Israel Katz saudou também a intenção do presidente americano de reassentar os mais de dois milhões de palestinianos que vivem em Gaza e transformar o território na “Riviera do Médio Oriente”.

“Saúdo o plano ousado do presidente Trump, os moradores de Gaza devem ter a liberdade de sair e emigrar, como é a norma em todo o mundo”, disse Katz, na rede social ‘X’, citado pela agência ‘Reuters’, garantindo que o seu plano incluiria opções de saída através de travessias terrestres, bem como arranjos especiais para saída por mar e ar.

A deslocação de palestinianos é uma das questões mais sensíveis e explosivas no Médio Oriente, constituindo-se mesmo com um crime de guerra, proibido pelas Convenções de Genebra de 1949. Dezenas de milhares de palestinianos foram obrigados, durante a conflito, a movimentarem-se por Gaza à procura de segurança. Muitos já garantiram que não deixarão o enclave uma vez que temem o deslocamento permanente, como a ‘Nakba’, quando centenas de milhares foram desapropriados das suas casas no nascimento do Estado de Israel, em 1948.

Muitos foram expulsos ou fugiram para Gaza, Cisjordânia e estados árabes vizinhos, incluindo Jordânia, Síria e Líbano, onde seus descendentes ainda vivem em campos de refugiados. No entanto, Katz reiterou que os países que se opuseram às operações militares de Israel em Gaza deveriam acolher os palestinianos. “Países como Espanha, Irlanda, Noruega e outros, que fizeram acusações e falsas alegações contra Israel sobre as suas ações em Gaza, são legalmente obrigados a permitir que qualquer residente de Gaza entre em seus territórios”, apontou. “A sua hipocrisia será exposta se eles se recusarem a fazê-lo. Há países como o Canadá, que tem um programa de imigração estruturado, que já expressaram disposição para aceitar moradores de Gaza.”

Os comentários de Israel Katz já mereceram críticas do ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares. “A terra dos habitantes de Gaza é Gaza e Gaza deve fazer parte do futuro Estado palestiniano”, sublinhou, em entrevista à estação de rádio espanhola ‘RNE’.

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