Donald Trump tem vindo a demonstrar uma forte intenção em reduzir os preços da energia nos EUA, ciente de que os elevados custos do petróleo afetam diretamente a popularidade dos presidentes do país. No entanto, as suas ações até agora parecem ser contraditórias, com decisões como a imposição de tarifas sobre o petróleo canadiano e ameaças ao Irão, o que levanta dúvidas sobre a eficácia destas políticas para reduzir os preços do crude.
Alguns analistas sugerem que a melhor estratégia para Trump seria não intervir e permitir que as forças do mercado atuem por si mesmas, conta o ‘elEconomista’. A OPEP está a reduzir os seus cortes de produção, a produção de petróleo em países como os EUA, Canadá e Guiana está a atingir níveis recordes e a procura global está a crescer de forma moderada. De acordo com os especialistas, se Trump deseja um petróleo mais barato, o melhor seria adotar uma postura de observador e esperar que o preço baixe naturalmente.
Atualmente, o barril de petróleo Brent está cotado ligeiramente acima dos 75 dólares, enquanto o West Texas ronda os 73 dólares por barril, preços que são relativamente confortáveis para consumidores e produtores. No entanto, as políticas de Trump, como as sanções ao petróleo russo e as tarifas aduaneiras ao Canadá, provocaram um aumento temporário dos preços, ultrapassando os 80 dólares por barril em alguns momentos.
Além disso, analistas do JP Morgan alertaram que as tarifas ao petróleo canadiano não afetarão significativamente o fornecimento, mas poderão elevar os preços do petróleo canadiano, o que afetará as margens das refinarias americanas e, em última instância, aumentará os preços da gasolina.
Embora a administração de Trump tenha definido como objetivo aumentar a produção de petróleo em três milhões de barris diários até 2024, especialistas do BNP Paribas alertam para uma contradição estrutural. As empresas petrolíferas americanas são privadas e não operam com a mesma lógica dos produtores da OPEP. Estas empresas enfrentam dificuldades económicas e, embora Trump possa tentar incentivar a produção através de cortes de impostos ou maior acesso a terras federais para perfuração, os resultados destas medidas demorariam a refletir-se, revela a mesma fonte.
Curiosamente, as políticas protecionistas de Trump, como as tarifas sobre hidrocarbonetos canadianos e as sanções ao Irão e à Venezuela, podem acabar por ter o efeito contrário ao pretendido, elevando os preços do petróleo nos EUA. Neste contexto, os analistas concordam que a melhor estratégia para Trump seria evitar mais barreiras comerciais e permitir que o mercado funcione livremente.














