Entidade para a Transparência desmente ex-secretário de Estado e garante não ter dado autorização para a criação das duas empresas

Na Assembleia da República, Hernâni Dias garantiu aos deputados que obteve autorização para criar duas empresas no setor do imobiliário, depois da luz verde parcial da Entidade para a Transparência – poderia avançar se não fosse o sócio-gerente e não detivesse a maioria do capital. “Não vi nenhum problema na constituição das empresas, como a Entidade da Transparência não viu”, apontou

Revista de Imprensa
Fevereiro 5, 2025
9:18

A Entidade para a Transparência negou esta quarta-feira que Hernâni Dias, ex-secretário de Estado e o primeiro elemento do Governo de Luís Montenegro a demitir-se, tenha contactado o organismo para saber se poderia constituir duas empresas, notando ainda que as suas declarações de interesses ainda nem sequer estão validadas, indicou o jornal online ‘Observador’: o ex-secretário de Estado garantiu que obteve luz verde num contacto telefónico, o que, para a entidade, não tem validade nem é vinculativo.

Na Assembleia da República, Hernâni Dias garantiu aos deputados que obteve autorização para criar duas empresas no setor do imobiliário, depois da luz verde parcial da Entidade para a Transparência – poderia avançar se não fosse o sócio-gerente e não detivesse a maioria do capital. “Não vi nenhum problema na constituição das empresas, como a Entidade da Transparência não viu”, apontou.



A Entidade da Transparência refutou a afirmação do ex-secretário de Estado: “Questionou a Entidade para a Transparência sobre a constituição de sociedades, em mensagem de correio eletrónico, enviada a um/a técnico/a superior”, mas “apenas no dia 6 de janeiro de 2025” e “imputando informações telefónicas — que não se confirmam”, referiu a entidade. Ou seja, não houve qualquer contacto prévio à constituição das sociedades – a a 28 de outubro e a 15 de novembro do ano passado.

O organismo salientou ainda que não transmite opiniões ou pareceres informais. “Na verdade, e quanto à eventual existência de incompatibilidades dos titulares de cargos políticos, altos cargos públicos e equiparados, a sua aferição é efetuada no contexto da análise e fiscalização da declaração única”, sendo que a existir algum parecer este teria de “ser assinado pelos respetivos membros para vincular a Entidade”.

No que respeita ao caso do ex-presidente da Câmara de Bragança, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, aceitou em 28 de janeiro o pedido de demissão de Hernâni Dias das funções de secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território.

Esta foi a primeira demissão registada no XXIV Governo Constitucional PSD/CDS-PP que tomou posse a 2 de abril do ano passado.

Antes, a RTP tinha noticiado que Hernâni Dias criou duas empresas que podem vir a beneficiar com a nova lei dos solos, sendo que é secretário de Estado do ministério que tutela essas alterações. O mesmo canal de televisão avançou que Hernâni Dias estava a ser investigado pela Procuradoria Europeia e era suspeito de ter recebido contrapartidas quando foi autarca de Bragança.

Em sede de comissão parlamentar, o ex-secretário de Estado da Administração Local rejeitou qualquer conflito de interesses na constituição de duas empresas enquanto era governante, salientando que nenhuma delas tinha atividade relacionada com a “lei dos solos”.

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