“Candidatura de Marques Mendes é uma traição”: Ventura acusa Governo de nova estratégia: “Comprar comentadores”

André Ventura denunciou acordo mútuo vantajoso entre Luís Montenegro e Luís Marques Mendes

Francisco Laranjeira

O Chega vai apresentar a sua candidatura presidencial a 28 de fevereiro, revelou esta segunda-feira André Ventura, líder do partido, que criticou a escolha social-democrata para a corrida ao Palácio de Belém.

“A candidatura do comentador e antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes, representa a todos os títulos uma traição àquilo que a direita portuguesa representa. Ficou claro o que muitos de nós suspeitavam: que tinha existido um acordo mais ou menos escondido entre Marques Mendes e Luís Montenegro de ajuda mútua de percurso político”, acusou Ventura, em conferência de imprensa.

“Marques Mendes ajudaria no comentário político fundamental e persistente à candidatura de Montenegro à liderança do Governo, em troca o primeiro-ministro manteria o acordo de apoiar Marques Mendes numa candidatura presidencial, mesmo sabendo que os números são maus e não representam o eleitorado de direita”, continuou, salientando que a candidatura “representa tudo o que é de mau na política portuguesa: a cedência do lobysmo, a cedência dos interesse de corredores e à podridão do sistema partidário que há 50 anos domina Portugal”, frisou Ventura.

“O antigo líder do PSD, que nunca foi a votos com o país, fez um acordo com o agora primeiro-ministro para que ambos tirassem ajuda mútua vantajosa. O homem que disse que não teria outra agenda que não fosse a de comentador decidiu apresentar a sua candidatura presidencial representando a direita portuguesa. Nada mais errado ou falso. Marques Mendes representa tudo o que o sistema partidário procurou ou deveria ter mudado nos últimos anos”, sublinhou.

“Durante anos, no comentário político, apresentou-se como alguém isento, mas que na verdade estava a construir as bases de uma candidatura presidencial”, destacou o líder do Chega. “Mais grave é o apoio, agora evidente, que PSD e Governo darão a esta candidatura, mesmo sabendo que tem pouquíssimas chances de ser positiva ou sequer de sucesso. Na verdade, Montenegro aproveitou a visibilidade de Marques Mendes para, durante meses, lhe fazer campanha política na televisão.”

Continue a ler após a publicidade

“Marques Mendes era a solução para evitar candidaturas como a de Pedro Passos Coelho, ou de outros da área do PSD, à Presidência da República. Era a única forma de garantir um apoio persistente. Olhando para trás, não foi caso único: comentadores como Sebastião Bugalho e outros pareciam ser independentes durante o seu tempo, percebemos agora que faziam campanha por um primeiro-ministro. Esta parece ser a nova estratégia do Governo: comprar comentadores, condicionar comentadores, prometer-lhes lugares e apoio político”, prosseguiu.

“Nenhum dos candidatos, mesmo este que se diz de centro-direita e tem a ambição de representar a direita, podem alguma vez representar um eleitorado contra a imigração ilegal, contra a corrupção e a favor do controlo da nossa segurança coletiva. Todo o percurso de Marques Mendes diz o contrário do que precisamos à direita: esteve em permanente conluio com o Governo socialista de António Costa, esteve em conluio com os interesses obscuros do país na luta contra a Covid-19, foi a escolha de Marcelo Rebelo de Sousa porque sempre seria lacaio do Presidente”, concluiu.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.