Arranca hoje em lisboa a Convenção Nacional da IL: Partido vai discutir 24 moções setoriais sobre imigração, tecnologia ou interior (entre outras coisas)

Na última Convenção, o atual líder Rui Rocha foi eleito presidente do partido em janeiro de 2023, com 51,7% dos votos, derrotando Carla Castro e José Cardoso.

Executive Digest com Lusa

O atual presidente da IL, Rui Rocha, e o conselheiro nacional Rui Malheiro disputam este fim de semana a liderança do partido, coincidindo na recusa em integrar pré-coligações mas a divergirem nos objetivos eleitorais.

Dois anos depois de ter derrotado Carla Castro e José Cardoso, sendo eleito com 51,7% dos votos, Rui Rocha volta a apresentar-se a eleições internas sob o mote “Acelerar Portugal” e defendendo que a IL deve apresentar-se sozinha sempre que vai a votos.



“O trabalho feito por esta Comissão Executiva permite termos agora autonomia financeira, política e estratégica para nos apresentarmos a todas as eleições sozinhos. Portanto, algum tipo de entendimento será sempre excecional e não por regra”, disse, em entrevista à Lusa na semana passada.

No entanto, ao contrário da postura que tinha tido em 2023 – em que tinha assumido objetivos eleitorais, entre os quais obter 15% em eleições legislativas -, desta vez Rui Rocha recusa estabelecer qualquer meta, assumindo apenas o desígnio de crescer.

Já Rui Malheiro, conselheiro nacional da IL desde 2022, apresenta-se a eleições pelo movimento “Unidos pelo Liberalismo”, numa candidatura que não estava inicialmente prevista e que se precipitou após o ex-candidato presidencial Tiago Mayan Gonçalves ter desistido de concorrer à liderança, por ter sido revelado que tinha falsificado assinaturas enquanto presidente de uma união de freguesias no distrito do Porto.

À semelhança de Rui Rocha, também Rui Malheiro considera que a IL se deve apresentar a eleições sozinha, só admitindo coligações autárquicas em casos excecionais, mas é muito mais ambicioso em termos de objetivos eleitorais: entre as metas que estabeleceu, o conselheiro nacional quer obter 10% nas próximas legislativas e eleger 200 autarcas nas eleições deste outono.

Rui Malheiro é também muito crítico em relação ao que considera ser uma falta de pluralidade de opiniões dentro do partido, acusando Rui Rocha de ter imposto uma “visão única”, e promete mudanças a nível interno, entre as quais abdicar do voto da Comissão Executiva em sede de Conselho Nacional.

Além da votação para a direção do partido, os 1.545 militantes da IL que se inscreveram nesta Convenção irão também eleger a composição dos órgãos nacionais para os próximos dois anos: Conselho Nacional, Conselho de Jurisdição e Conselho de Fiscalização.

Ao Conselho Nacional, concorrem seis listas, entre as quais a F, do deputado Bernardo Blanco, que saiu da Comissão Executiva da IL (que integrava desde 2019) invocando razões pessoais, e apresenta uma candidatura ao órgão máximo entre convenções, composta por dirigentes e membros que ainda não tiveram qualquer cargo partidário de topo.

Além de Bernardo Blanco, também a lista X, encabeçada por Pedro Ferreira, é composta por membros que integraram direções recentes da IL, como Bruno Mourão Martins, fundador do partido, ou João Caetano Dias. É a única lista que também apresenta candidaturas ao Conselho de Fiscalização e ao Conselho de Jurisdição.

Fora estas duas listas – cujos cabeças de lista já declararam apoio à candidatura de Rui Rocha -, as restantes quatro não têm qualquer antigo dirigente da IL. A lista T e a lista D, composta por membros que são ou já foram conselheiros nacionais, defendem sobretudo a necessidade de construção de pontes com a direção.

Já a lista A defende considera que o Conselho Nacional precisa de “maior autonomia”, garantindo que “funciona de forma independente” da Comissão Executiva, enquanto a lista M propõe um programa para o partido inspirado nas políticas do Presidente da Argentina, Javier Milei.

Além das seis listas ao Conselho Nacional, há três candidaturas ao Conselho de Jurisdição e quatro ao Conselho de Fiscalização.

Partido vai discutir 24 moções

Da imigração ao interior, passando pela coesão territorial ou as políticas do Presidente argentino, Javier Milei, os cerca de 1.500 membros da IL inscritos na convenção deste fim de semana vão votar em 24 moções setoriais.

Um dos temas com principal destaque nestas moções, que serão votadas no domingo, é a imigração, com a líder parlamentar da IL, Mariana Leitão, o vice-presidente da Assembleia da República Rodrigo Saraiva e a deputada Joana Cordeiro a assinarem uma moção que defende que o foco das propostas seja “o da integração, em vez da exclusão e da segregação”.

“A IL, em matéria de imigração deve, por princípio, apresentar propostas que permitam conciliar liberdade e responsabilidade, sem castrar sonhos, dando a qualquer ser humano um tempo razoável para encontrar um meio de sustento que lhe permita reconstruir a sua vida em Portugal”, lê-se nesta moção, que acrescenta que a IL deve excluir “qualquer fator discriminatório” ou “visão instrumental dos seres humanos” nas suas propostas.

Os deputados Bernardo Blanco e Mário Amorim Lopes assinam uma moção que defende que a IL deve focar-se mais na segurança, numa altura em que e apresentar uma “visão clara sobre o tema”, sem cair na “apatia centrista ou berraria populista”.

Bernardo Blanco é um dos membros mais ativos na elaboração destas moções setoriais, sendo um dos primeiros signatários em seis, entre as quais a “Moção 6 – Afuera, menos Estado, mais liberdade”, que defende a necessidade de se implementar em Portugal políticas inspiradas “no movimento cultural (…) protagonizado pelo Presidente argentino, Javier Milei”.

Os signatários desta moção – que incluem também o atual dirigente António Costa Amaral – defendem que, no próximo mandato de dois anos, a IL deve elaborar um “plano reformista” que inclua uma lista de “leis e regulamentos a revogar, entidades e organismos a extinguir, cargos diretivos e políticos a eliminar, e reforma e redução da administração pública”.

Além de segurança e imigração, Bernardo Blanco assina ainda outra moção em que defende a “modernização profunda da máquina do Estado com inteligência artificial”, através da sua utilização na justiça, educação ou saúde, num foco na transformação digital que parece ser transversal a vários membros da IL.

O fundador da IL e antigo candidato à Câmara Municipal de Lisboa, Bruno Horta Soares, é, por exemplo, o primeiro signatário de uma moção em que considera que “a semana de quatro dias (ou menos) é o futuro” e será um “resultado natural” caso se promova a adoção da inteligência artificial e se crie um “ambiente fiscal favorável” à sua implementação nas empresas.

Além destas propostas mais dedicadas a setores específicos, há também quem tenha elaborado moções sobre questões internas, em particular no que se refere à política de alianças nas próximas eleições autárquicas.

Assim, na “Moção 21 – O futuro das nossas cidades exige coragem e liberdade, não coligações”, 28 membros da IL defendem que o partido não deve integrar qualquer coligação pré-eleitoral em Lisboa, Braga ou Porto e pedem que qualquer entendimento seja submetido à votação prévia do Conselho Nacional.

O interior do país e a coesão territorial é uma preocupação transversal a várias moções, entre as quais a “Moção 6 – Revitalizar o interior: descentralizar, desburocratizar e desenvolver”, que propõe a criação de zonas económicas especiais em distritos como Viseu, Guarda, Vila Real, Castelo Branco e Bragança.

Já o deputado da IL no parlamento regional da Madeira Nuno Morna é o primeiro signatário de uma moção (igualmente subscrita pelo vice-presidente da Assembleia da República Rodrigo Saraiva) que pede uma “nova visão para a autonomia” do arquipélago, propondo a extinção da figura do representante da República ou uma redução de 30% no IRC, IRS e IVA.

A IX Convenção Nacional da IL realiza-se este fim semana no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, com 1.545 membros inscritos.

 

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