Os militantes do Partido Socialista da Madeira vão hoje às urnas para escolher o próximo líder da estrutura regional, num ato eleitoral que decorre num contexto de grande instabilidade política na região. O atual presidente do PS Madeira, Paulo Cafôfo, recandidata-se ao cargo, procurando consolidar a sua posição no partido num momento em que se perspetivam eleições legislativas antecipadas na região.
A realização destas eleições internas foi aprovada pela Comissão Política Regional do PS Madeira no passado dia 12 de janeiro, num encontro que contou com 81 votantes. A decisão teve quatro votos contra e seis abstenções, mas obteve uma maioria favorável, permitindo a marcação do ato eleitoral para 31 de janeiro e do congresso do partido para os dias 22 e 23 de fevereiro.
“Estão criadas as condições para que o futuro presidente do partido possa ganhar as eleições regionais que se perspetivam para março”, afirmou Paulo Cafôfo na altura, sublinhando a necessidade de o PS se apresentar forte e coeso perante o eleitorado madeirense.
A possibilidade de um adversário interno surgiu quando Carlos Pereira, antigo líder do PS Madeira e atual deputado na Assembleia da República pelo círculo de Lisboa, defendeu a realização de eleições primárias e manifestou disponibilidade para avançar como candidato à liderança. No entanto, assim que Paulo Cafôfo anunciou a marcação das eleições internas, Carlos Pereira recuou, classificando o processo como “um jogo viciado” devido ao curto prazo para formalizar candidaturas.
Em resposta, Paulo Cafôfo afirmou que Carlos Pereira “já sabia muito bem quais eram os prazos” e considerou que a desistência do antigo líder revela “uma falta de coragem”. “Num dia quer avançar, no outro já não avança. Ficou claro que as suas intenções continuam a ser apenas as de prejudicar o partido”, acusou.
O prazo para a apresentação de candidaturas terminou a 21 de janeiro, e, sem adversários na corrida, Paulo Cafôfo avança para a reeleição sem oposição.
Estas eleições internas no PS Madeira decorrem num momento de grande indefinição política na região. Em 17 de dezembro de 2024, o governo minoritário do PSD foi derrubado com a aprovação de uma moção de censura apresentada pelo Chega, na sequência das investigações judiciais que envolvem o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, e quatro secretários regionais, todos constituídos arguidos.
Com a queda do executivo, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reuniu-se com os sete partidos representados no parlamento regional – PSD, PS, JPP, Chega, CDS-PP, IL e PAN – e convocou o Conselho de Estado para 17 de janeiro, para analisar a crise política e decidir sobre a realização de eleições antecipadas.
Paulo Cafôfo tem acusado Miguel Albuquerque de se agarrar ao cargo “para não responder à justiça”, alegando que o líder do PSD Madeira se mantém na posição para preservar a imunidade conferida pelo seu estatuto de conselheiro de Estado.
Caso as eleições legislativas regionais sejam efetivamente convocadas para março, Paulo Cafôfo poderá ter de conduzir o PS numa campanha eleitoral decisiva para o futuro político da Madeira. O congresso do partido, agendado para 22 e 23 de fevereiro, será uma oportunidade para definir a estratégia socialista para o embate eleitoral que se aproxima.











