Há mais de mil anos em atividade: Esta é uma das empresas mais antigas do mundo e continua com métodos artesanais

No coração da pequena localidade de Agnone, na região de Molise, em Itália, encontra-se a Fundição Marinelli, uma das empresas mais antigas do mundo ainda em funcionamento. Com raízes que remontam ao ano 1000, esta fundição de sinos destaca-se por preservar uma tradição artesanal que atravessou mais de um milénio, mantendo intactos os métodos de produção que fizeram dela um símbolo de excelência.

Pedro Zagacho Gonçalves

No coração da pequena localidade de Agnone, na região de Molise, em Itália, encontra-se a Fundição Marinelli, uma das empresas mais antigas do mundo ainda em funcionamento. Com raízes que remontam ao ano 1000, esta fundição de sinos destaca-se por preservar uma tradição artesanal que atravessou mais de um milénio, mantendo intactos os métodos de produção que fizeram dela um símbolo de excelência.

Atualmente gerida pela 27.ª geração da família fundadora, a Marinelli resistiu a guerras, crises económicas e mudanças históricas, perpetuando o seu legado. Desde a sua criação, a fundição tem-se dedicado à produção de sinos destinados a igrejas e mosteiros, tornando-se num pilar da arte sacra e num exemplo notável de preservação cultural.

Um dos momentos de maior prestígio na história da fundição ocorreu em 1924, quando o Papa Pio XI concedeu à família Marinelli o direito de reproduzir o escudo papal nos seus sinos. Este privilégio não só reforçou o estatuto da empresa no panorama religioso como também simbolizou a excelência do seu trabalho. Em 1995, a visita do Papa João Paulo II à fundição reafirmou a sua importância no mundo cristão, consolidando-a como uma referência em arte sacra.

Agnone, localidade onde está situada a Fundição Marinelli, possui uma história rica que remonta aos antigos Samnitas. Com cerca de 5.000 habitantes, a cidade é conhecida pela sua tradição na produção de sinos de bronze, datada de antes do século XII. Entre as peças mais icónicas está um sino gótico criado em 1339 por Nicodemo Marinelli, conhecido como “Campanarus”. Esta obra, destinada a uma igreja em Frosinone, pesava cerca de dois quintais (aproximadamente 90 kg).

O método de fabrico mantém-se fiel às técnicas ancestrais. Os sinos são feitos a partir de uma liga de cobre e estanho, materiais que garantem durabilidade e uma qualidade acústica única. Cada peça é decorada com inscrições e relevos artísticos, perpetuando uma tradição que remonta a civilizações antigas, como os etruscos e os chineses.

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Em 1954, a fundição recebeu a Medalha de Ouro do Presidente da República Italiana, uma distinção que reconhece a sua dedicação ao trabalho artesanal. Já em 1999, foi inaugurado o Museu Histórico do Sino, dedicado ao Papa João Paulo II, e que exibe peças de valor inestimável, algumas datadas do século XIV.

Além de marcar momentos religiosos e comunitários, o som dos sinos Marinelli é uma prova viva da continuidade de um saber ancestral. Segundo os responsáveis da fundição, “o som de um sino não é apenas um sinal; é uma ligação intemporal entre gerações.”

Graças à dedicação da família Marinelli, o conhecimento acumulado ao longo de séculos continua a ser transmitido de geração em geração, garantindo que esta herança artesanal sobreviva ao tempo. A Fundição Marinelli não é apenas uma empresa; é um monumento vivo à história, à arte e à perseverança humana.

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