Banif. PJ suspeita de lavagem de 1,4 mil milhões de euros durante 10 anos

É mais uma polémica a envolver o Banif, suspeito de estar envolvido num esquema de lavagem de dinheiro durante uma década. Contas feitas, terão sido 1,4 mil milhões de euros.

Revista de Imprensa

É mais uma polémica a envolver o Banif, suspeito de estar envolvido num esquema de lavagem de dinheiro durante uma década. Contas feitas, terão sido 1,4 mil milhões de euros, avança a “Sábado”.

Segundo a revista, a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) começaram a investigar o esquema alegadamente feito pelo Banif em 2015. A história junta ainda a multinacional brasileira Odebrecht, a operação «Lava Jato», relatos de delatores, dezenas de offshores e escutas telefónicas.

«Veio a apurar-se que entre 2005 e 2015 houve clara utilização, por terceiros, de contas bancárias sediadas no Banco Internacional do Funchal – Banif, como contas de passagem (uma mesmo como ‘dormant account’) [conta sem movimentos durante longos anos e com dinheiro não reclamado pelos titulares] de valores elevadíssimos entre várias empresas internacionais e centros offshore», pode ler-se no relatório da Unidade de Informação Financeira da PJ enviado em Agosto de 2015 ao então director do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, Amadeu Guerra, intitulado «Operações Suspeitas», citado pela “Sábado”.

Na nota introdutória realçava-se que tudo teria ocorrido após o Banif ter comunicado voluntariamente, apenas um mês antes, várias operações suspeitas de branqueamento de capitais e que, logo depois, se tinha avançado para o bloqueio preventivo de três transferências financeiras suspeitas destinadas a contas em nome de offshores alegadamente controlados pela multinacional brasileira Odebrecht, envolvida no caso «Lava Jato».

A PJ disse que pedira mais informação financeira ao banco e que os dados lhe permitiram chegar à inusitada descoberta: «O total apurado dos valores que passaram nas cinco contas principais (…) ultrapassa os 1.500 milhões de dólares norte-americanos», quase 1,4 mil milhões de euros. Entretanto, verificou que as movimentações financeiras suspeitas obedeciam a um padrão: permaneciam sempre no banco por «pouco tempo», como normalmente acontece nos casos de lavagem de dinheiro de origem criminosa.

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O Banif no esquema do caso «Lava Jato»

O MP terá ainda sido informado pela PJ de que o alegado esquema teria durado cerca de 10 anos sem que as operações suspeitas com destino a entidades offshore tivessem sido comunicadas pelo Banif às autoridades portuguesas, como era obrigatório por lei. A PJ frisou também que boa parte deste dinheiro poderia estar relacionado com o «Lava Jato», uma vez que só as notícias publicadas em 2015, que associavam o Banif a suspeitos perseguidos pelas autoridades brasileiras no caso de corrupção e lavagem de dinheiro, levara o banco português a colaborar com as autoridades nacionais.

A “Sábado” adianta que a alegada lavagem de dinheiro no Banif terá ocorrido também enquanto o Estado português estava a injectar muitos milhões de euros no banco para impedir a sua falência, tendo chegado a ser o accionista maioritário do grupo financeiro fundado pelo banqueiro Horácio Roque. Mas, escreve a revista, quase cinco anos depois da abertura do inquérito, a investigação continua a marcar passo, sobretudo pela falta de meios humanos e técnicos das equipas do crime económico da PJ.

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Nos documentos da investigação «Lava Jato» há muito bastante referências ao Banif como sendo um dos bancos que faria parte do circuito internacional financeiro usado para corromper políticos e gestores públicos brasileiros. O banco português foi utilizado durante vários anos pela empresa Odebrecht, envolvida no processo, para lavar dinheiro e fazer pagamentos corrupton em vários países. As informações chegaram a Portugal, mas a revista “Sábado” aponta que a PJ não tem meios humanos para investigar.

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