À medida que o número de infecções dispara em outros países, o coronavírus continua a poupar um dos grupos considerados vulnerável, o das crianças, e a ser uma ameaça para os adultos de meia-idade e mais velhos. Também tem vitimado mais homens do que mulheres. Todavia, um estudo publicado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças chinês nega que a taxa de mortalidade provocada pelo surto de pneumonia viral Covid-19 seja mais alta em pessoas com doenças pré-existentes.
De acordo com o relatório, citado pelo “La Vanguardia”, 30% das mortes provocadas por Covid-19 foi registada em doentes sem patologias prévias e uma em cada cinco teria menos de 60 anos.
Por faixas etárias, verifica-se que o coronavírus quase não afecta crianças e adolescentes. Embora tenha sido registados quase mil casos de infecção por coronavírus em menores na China, representam apenas 2% dos casos. Os restantes 98% dizem respeito a pessoas com mais de 20 anos. As faixas etárias mais susceptíveis situam-se entre os 40 e 70 anos de idade, que representam quase 60% dos casos.
A taxa de mortalidade é substancialmente mais alta em pessoas com mais de 70 anos (50%). Acima dos 80 anos, uma em cada sete pessoas infectadas morrem, de acordo com dados das autoridades chineses. Ainda assim, uma fatia de 19% de mortes corresponde a pessoas entre os 20 e 60 anos.
Embora, segundo a China, homens e mulheres tenham sido infectados em números aproximadamente iguais, a taxa de mortalidade entre os homens é superior. 64% das mortes ocorrem entre o sexo masculino e há comportamentos que podem justificar a resistência feminina aos vírus. Por exemplo, na China, o facto de os homens fumarem mais do que as mulheres.
As pessoas com maior risco de infecção por coronavírus são aqueles que sofrem de doenças cardiovasculares (registando já 10,5% das mortes), diabetes (7,3%), doenças respiratórias crónicas (6,3%), hipertensão (6%) e cancro(5,6%).
Entre os casos confirmados de Covid-19, 81% foram classificados como leves, porque não desenvolveram pneumonia ou apenas pneumonia leve. 14% têm sido casos graves, sendo a falta de ar o principal sintoma. 5% têm tido insuficiência respiratória, choque séptico ou disfunção de múltiplos órgãos. Uma fatia de 2,3% dos infectados morreram, embora a taxa de mortalidade do novo coronavírus deva ser menor porque «o número total de casos de Covid-19 é provavelmente maior», escrevem os autores do estudo na revista médica “JAMA”, baseado em dados até 11 deFevereiro.
O surto de Covid-19, recorde-se, está já a alastrar-se mais rapidamente no resto do mundo do que na China, registando-se pelo menos 2800 mortos e mais de 82 mil pessoas infectadas em mais de 40 países. Das pessoas infectadas, mais de 33 mil recuperaram.
Na Europa, há casos confirmados em vários países, com Itália a registar um aumento súbito de infecções nos últimos dias. Em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde registou 25 casos suspeitos de infecção, sete dos quais ainda estavam em avaliação na quarta-feira à noite. Os restantes 18 casos suspeitos não se confirmaram, após testes negativos. O único caso conhecido de um português infectado pelo novo vírus é o de Adriano Maranhão, um tripulante do navio de cruzeiro Diamond Princess, que foi internado num hospital da cidade japonesa de Okazaki.
Os dados da Comissão Nacional de Saúde da China mostravam que, até à meia-noite (16 horas de quarta-feira em Lisboa), a China somava um total de 2744 mortos e 78.497 casos confirmados,dos quais 8346 em estado grave.
Além de 2744 mortos na China, onde o surto começou no final do ano passado, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França, Hong Kong e Taiwan.







