O que esperar do mercado imobiliário em 2025? Esta é a opinião dos executivos

Em declarações à Executive Digest, executivos do setor, como Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal, Rui Torgal, CEO da ERA Portugal, e Manuel Alvarez, Presidente da RE/MAX Portugal, apontam para um cenário de crescimento, mas com desafios persistentes que exigem adaptação e inovação.

André Manuel Mendes

À medida que nos aproximamos de 2025, o mercado imobiliário em Portugal continua a ser influenciado por um conjunto complexo de fatores económicos, sociais e estruturais.

Em declarações à Executive Digest, executivos do setor, como Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal, Rui Torgal, CEO da ERA Portugal, e Manuel Alvarez, Presidente da RE/MAX Portugal, apontam para um cenário de crescimento, mas com desafios persistentes que exigem adaptação e inovação.



 

Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal 

Prevemos que o mercado imobiliário em Portugal, em 2025, continue a ser influenciado por fatores determinantes como o contexto económico, as condições de acesso ao crédito e as dinâmicas demográficas. O setor tem mostrado sinais de recuperação desde o segundo trimestre de 2024 e os indicadores sugerem que o número de transações deverá aumentar, consolidando uma trajetória de crescimento sustentável.

A estabilização do mercado laboral será essencial para manter a capacidade de aquisição das famílias e a esperada redução progressiva das taxas de juro poderá melhorar as condições de financiamento, promovendo maior acessibilidade ao crédito habitação. No entanto, não se prevê uma redução dos preços, mas sim uma estabilização dos valores praticados.

A procura internacional deverá continuar a desempenhar um papel relevante, sobretudo em regiões turísticas, enquanto a preferência dos compradores nacionais está cada vez mais orientada para soluções economicamente acessíveis. Este fenómeno poderá favorecer o mercado de segunda mão e incentivar a rotação de imóveis.

Ainda assim, o mercado enfrenta desafios estruturais significativos, como a escassez de oferta adequada em zonas urbanas e a necessidade de melhorar as infraestruturas de mobilidade urbana. Soluções como a industrialização do setor da construção e investimentos em transporte urbano integrado serão fundamentais para ampliar a oferta de habitação acessível e promover o equilíbrio entre as oportunidades e os desafios do setor.

 

Rui Torgal, CEO da ERA Portugal

Julgo que a vitória de Donald Trump nos EUA trará dificuldades acrescidas à Europa, sobretudo devido ao protecionismo anunciado, e esta incerteza poderá significar alguma retração global no mercado imobiliário durante o 1º semestre.

No entanto, nas contas finais do ano, não antecipo que Portugal venha a ser muito afetado a nível do imobiliário. Prevejo mesmo que continuará a crescer no próximo ano, de acordo com todos os indicadores de que dispomos.

Mas acredito também que este crescimento não será igual ao de anos anteriores, pelo que expliquei em cima, mas nesta fase é ainda prematuro arriscar num número concreto para este crescimento.

 

Manuel Alvarez, Presidente da RE/MAX Portugal

A evolução do mercado imobiliário em 2025 será, sem dúvida, um reflexo da capacidade de adaptação às transformações económicas, sociais e demográficas que têm moldado o setor nos últimos anos. Apesar de continuarmos a enfrentar desafios complexos, como a disparidade entre a oferta e a procura, acreditamos que o mercado possui as ferramentas e o potencial para uma evolução mais equilibrada e sustentável.

A dinâmica entre uma oferta insuficiente e uma procura crescente, sobretudo nas áreas metropolitanas, continuará a exercer pressão sobre os preços. A resposta para mitigar esta tendência passa, inevitavelmente, pela implementação de estratégias que promovam o aumento da oferta habitacional de forma ordenada e acessível. A colaboração entre municípios, promotores imobiliários e entidades privadas será essencial para desenvolver projetos que respondam às necessidades reais da população. Entre as medidas mais promissoras estão a revisão da fiscalidade aplicada ao setor, a agilização do licenciamento e a cedência regulada de terrenos municipais para construção de habitações com preços controlados.

Adicionalmente, o mercado português continuará a beneficiar de fatores positivos, como a atratividade para investidores estrangeiros e o regresso de cidadãos que emigraram nos últimos anos. Se a eles acrescermos a procura exercida por milhares de trabalhadores dos cinco continentes, temos forçosamente de apostar tanto na construção de novas habitações como na reabilitação urbana, promovendo soluções habitacionais diversificadas e adaptadas aos diferentes escalões de rendimento.

É provável que haja uma estabilização dos preços em áreas específicas, mas o ritmo da mesma muito dependerá da capacidade de aumentar a oferta, quer em quantidade, quer em diversidade, de forma sustentável e equilibrada.

Certo é que o caminho é claro: desenvolver parcerias estratégicas, agilizar o licenciamento e rever a fiscalidade, apostando sempre em soluções inovadoras.

 

 

 

 

 

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