Adriano Maranhão, o português de 41 anos infectado com coronavírus, e que está em isolamento no navio de cruzeiro Diamond Princess, atracado no Japão, não poupa nas críticas ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, por ter afastado a hipótese de o trazer para Portugal.
Em declarações ao “Público”, nesta segunda-feira, o português admitiu que «foi um choque receber essa notícia». «Como português gostava de ver e abraçar a minha família. Não estou a ver um bom final para esta situação, não sei se o meu estado de saúde se vai agravar, e o Presidente está-me a deixar ao abandono com essa declaração», disse, através de chamada via Messenger.
Marcelo Rebelo de Sousa afastou este domingo a possibilidade de trazer para o país o português e defendeu que as autoridades devem continuar a pressionar para encontrar uma solução. «Aparentemente o que se diz é que primeiro é preciso ter a noção exacta da situação e tem de ser no Japão. Trazê-lo para Portugal podia ser uma temeridade para ele. Não vale a pena correr esse risco», disse o chefe de Estado.
Adriano Maranhão não tem o mesmo entendimento. «Seria a mesma situação que aqui, ficaria em isolamento, não vejo que tenham capacidade para albergar mais casos destes porque estão sobrelotados», contou, acrescentando que as autoridades, com quem tem falado por telefone, «disseram que tinha que esperar».
As autoridades ainda não têm plano para a sua saída do navio ancorado no Japão. «Esta manhã o comandante disse que há 64 pessoas em isolamento com teste positivo», referiu. Adriano Maranhão diz que foi contactado via e-mail pela embaixada portuguesa, que lhe comunicou estar em articulação com as autoridades portugueses para procurar uma unidade hospitalar para onde o transferir.
O português, natural da Nazaré, revela que a febre tem variado ao longo do dia, subindo acima dos 37 graus. Sente-se cansado, mas não registou outros sintomas que o aconselharam a vigiar, como tosse ou diarreia. É, até agora, o único a bordo do navio a quem o teste do coronavírus deu positivo – há mais quatro cidadãos de nacionalidade portuguesa na embarcação, colocada em quarentena há mais de três semanas, mas os testes foram negativos.












