A Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR) tem registado episódios semelhantes ao que levou o maliano Marega a abandonar o relvado do Estádio D. Afonso Henriques, poucos minutos após marcar o golo da vitória do FC Porto, perante insultos racistas vindos das bancadas. A CICDR dá conta de seis multas e três admoestações desde que a nova lei de combate à discriminação racial e étnica foi publicada, em Agosto de 2017, avança o “Público”.
De acordo com o registo público daquele órgão, que acompanha a aplicação do Regime Jurídico da Prevenção, Proibição e do Combate à discriminação, até agora foram aplicadas 17, quase metade na área do desporto. Na lista publicada no site da CICDR alinham-se três decisões condenatórias proferidas pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude. Um caso teve desfecho em 2017 e os outros em 2018.
Um espectador foi condenado a pagar 400 euros pelas expressões «insultuosas e agressivas» que dirigiu a um jogador de futebol «em razão da sua cor da pele». O episódio ocorreu no dia 22 de Fevereiro de 2015, num confronto entre o F.C. Infesta e a União Desportiva Lavrense, no parque de jogos Manuel Ramos, em São Mamede Infesta, Matosinhos.
Um outro espectador foi castigado com uma multa de 375 euros por ter proferido expressões «insultuosas e ofensivas». No dia 4 de Outubro de 2015, num jogo entre o Grupo Desportivo Castelense à Associação Desportiva de Ponte da Barca, no campo do Beira Mar, em Viana do Castelo, o homem gritou a dois jogadores da equipa visitante: «Anda preto»; «havias de levar um pontapé na cabeça»; e, entre outros, «só se te vê os dentes».
Há ainda outro espectador condenado, mas a uma admoestação, por exibir uma cruz suástica. O caso remonta ao dia 1 de Novembro de 2016. Junto ao Estádio da Luz, num jogo entre o Benfica e o Dínamo de Kiev, um jovem ostentou «uma bandeira com uma cruz suástica desenhada, orientada para o lado direito, e sobre o desenho da cruz um circulo com uma linha vermelha (sinal de proibição) a dividir o mesmo, com uma águia de cor amarela».
Os outros seis processos divulgados pelo CICDR dizem respeito à Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, que sucedeu, no dia 1 de Novembro de 2018, o Instituto Português do Desporto e Juventude. Ocorreram todos em 2019. Há uma pessoa condenada a 1500 euros pela prática de actos de racismo em espectáculo desportivo, outra a 850, outro 750, outra a igual montante e duas a admoestação.




