A diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, assegurou em entrevista ao “Diário de Notícias/TSF” (DN/TSF), que existe «um arsenal terapêutico muito grande» para lidar com o novo coronavírus, oficialmente designado Covid-19.
O seu lado desconhecido «leva a que estas doenças emergentes provoquem estes movimentos de preocupação, de alerta, de atenção», reconheceu, embora sublinhando que «temos um bom sistema de saúde à escala global». «Temos ventiladores, ainda temos técnicas de ventilação sofisticadas, portanto há um arsenal terapêutico muito grande», detalhou.
Graça Freitas enalteceu os esforço das autoridades chinesas. A directora-geral da Saúde lembrou que «este é o sétimo coronavírus conhecido» e que entre o anúncio do surto (31 de Dezembro) e a identificação do vírus e do seu genoma (7 de Janeiro) passaram sete dias.
«Quando foi a SARS, em 2002-2003, (…) levámos bastantes semanas sem saber qual era o agente que causava a doença, a incerteza ainda era maior. Portanto, neste momento, há coisas muito positivas, temos muita informação – sabemos qual é o agente, o vírus, que causa a doença; sabemos as características do genoma desse vírus; sabemos, à partida, que ele terá vindo de um reservatório muito longínquo, que terá sido o morcego e que depois terá passado por outros reservatórios hospedeiros animais que, depois, levaram ao contacto com a espécie humana», salientou ao “DN/TSF”.
Admitiu, no entanto, que «há muitas incógnitas», nomeadamente sobre «quanto tempo vai levar para que este vírus se adapte ou nós nos adaptemos a ele, partindo do princípio que ele não vai sofrer muitas mutações». «Vamos ver, se for possível fabricar uma vacina, até que ponto é que essa vacina vai retardar e contrariar a dinâmica natural do vírus.»
Daí ser importante levar muito a sério a prevenção que, segundo Graça Freitas, está «literalmente nas mãos de todos nós». «Lavar as mãos é importantíssimo. (…) Não espirrar para cima de ninguém quando se está doente, não tossir para cima de ninguém, o distanciamento social…», insistiu. Além disso, em tempo de epidemias, «convém socializarmos um bocadinho menos, termos alguma distância social, não nos beijarmos tanto, não nos abraçarmos tanto».
«Se chegarmos ao próximo inverno e se este vírus continuar entre nós, mesmo que não exista uma vacina, só o facto de as pessoas se vacinarem contra a gripe já ajuda, é menos uma infecção, é menos um factor de risco e é menos um factor para confundir o diagnóstico, porque na fase inicial, pelo menos, podem ter características semelhantes», alertou ainda.












