Azeite: O ouro líquido português

A redescoberta do azeite como produto natural, saudável e com inúmeros benefícios para a saúde trouxe novos consumidores e, com isso, crescimentos nas vendas

Executive Digest

Em Portugal, o cultivo da oliveira e a produção de azeite tornaram-se importantes para a Economia durante a Idade Média. O azeite era usado não só para a alimentação e iluminação, mas também como moeda de troca com outros povos. Hoje, a oliveira é uma presença constante na agricultura portuguesa.

O nosso País foi gradualmente apostando na olivicultura, com 347 mil hectares de olival plantado, cerca de metade na região do Alentejo. Está entre os quatro principais produtores da União Europeia e ocupa a 7.ª posição no ranking mundial dos maiores produtores de azeite, de acordo com o Conselho Oleícola Internacional (COI). O consumo triplicou em 30 anos. E Portugal é, tradicionalmente, um país com vocação exportadora. Deixamos-lhe aqui uma pequena radiografia do sector.



PRODUÇÃO, CONSUMO E EXPORTAÇÃO

A produção de azeite a nível mundial está limitada, por questões edafo-climáticas [constituição dos solos e clima], a duas zonas do globo que se situam entre os paralelos 30 e 45 dos hemisférios Norte e Sul. Actualmente, cerca de 95% da superfície oleícola mundial está concentrada na Bacia Mediterrânica, sendo que os países produtores da União Europeia (Espanha, Itália, França, Grécia, Portugal, Chipre, Croácia, Eslovénia e Malta) são responsáveis por 71% da produção a nível mundial. Os outros principais países são a Tunísia (4%), Turquia (7%), Síria (4%), Marrocos (4%) e Argélia (3%).

Analisando a produção mundial no que diz respeiro às 10 últimas campanhas, pode-se verificar uma taxa de crescimento média de 0,002%, ao longo deste período (ver caixa das últimas três campanhas, na página seguinte).

Ao nível da União Europeia, a produção de azeite tem crescido significativamente nos últimos anos, sendo que Espanha (1311 mil toneladas) ocupa actualmente o 1.º lugar no ranking mundial dos países produtores, seguido da Grécia, Itália e Portuga

Por cá, tem-se assistido nos últimos anos a uma certa recuperação da produção, após o acentuado decréscimo verificado sobretudo a partir da década de 60 até finais da década de 80, onde passámos de produções da ordem das 90 000 toneladas (anos 50) para valores médios de cerca de 35 000 toneladas, nos anos 80.

No quadro da produção mundial, Espanha ocupa o primeiro lugar muito distante dos restantes países, seguido de Itália (em 2017 consegue ultrapassar a Grécia), Grécia, Tunísia, Turquia e Marrocos, Portugal passou de 69 mil toneladas em 2016, para 115 mil em 2018, tendo em conta dados previsionais do COI, sendo que em 2018 apresentou ao mercado dados provisórios de 128 mil toneladas.

No Continente, são produzidos 1 470 352 hl de azeite, maioritariamente no Alentejo (1 089 978 hl), seguido do Centro e Norte, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos a 2017. No ano anterior, foram registados valores que ficavam pela metade: no Continente uma produção de 757 373 hl e no Alentejo de 549 683 hl.

Relativamente ao consumo, verifica-se nos últimos 10 anos um crescimento médio, a nível mundial, da ordem dos 0,6%. Este aumento reflecte o efeito da difusão dos resultados da investigação científica sobre os benefícios do azeite para a saúde, bem como as sucessivas campanhas promocionais levadas a cabo, quer pela União Europeia, quer pelo Conselho Oleícola Internacional.

De referir, que o consumo de azeite na União Europeia representa cerca de 55% do total mundial, embora o consumo de azeite em países que tradicionalmente não eram consumidores, como os Estados Unidos da América, tenha sentido um forte acréscimo nos últimos anos. De facto, nos EUA o consumo quase duplicou em 15 anos, atingindo actualmente cerca de 306 000 toneladas anuais e colocando este país como o terceiro maior consumidor a nível mundial.

Relativamente ao consumo de azeite em Portugal, verifica-se uma nítida recuperação comparativamente ao início da década de 90, em que o consumo per capita se situava em 2,6 kg, atingindo um valor de 7,1 kg per capita, de acordo com dados do INE referentes a 2016.

Este aumento de procura e consumo não será seguramente alheio à “redescoberta” do azeite como produto natural, saudável e com inúmeros benefícios para a saúde humana.

AFINAL, DE QUE É QUE OS PORTUGUESES GOSTAM

De notar, a preferência dos portugueses tradicionalmente pelos azeites de perfil mais suave. «Actualmente existe uma certa tendência para azeites mais frutados, amargos e picantes, mas o comum dos consumidores ainda prefere os azeites mais suaves», de acordo com fonte da Casa dos Azeites. Já no que diz respeito às exportações, que se situam a níveis próximos das 772 mil toneladas (sem o comércio intracomunitário), os principais países exportadores são, naturalmente, os principais produtores.

Na média das três últimas campanhas, a União Europeia, com 76%, e a Tunísia, com 10%, foram os principais mercados a exportar. Entre os principais importadores encontramos os países considerados os novos consumidores de azeite, que no seu conjunto foram responsáveis por cerca de 63% das importações mundiais: os Estados Unidos da América (38%), o Brasil (6%), a Austrália (3%), o Canadá (5%), o Japão (7%) e a China (4%).

Portugal é, tradicionalmente, um país com vocação exportadora. Entre os mercados de destino das exportações nacionais, destaca-se o mercado brasileiro que absorve cerca de 29% do total das exportações nacionais de azeite, fazendo com que este seja igualmente o produto português mais exportado para aquele país. Actualmente, Portugal possui a maior quota de mercado de azeite no Brasil, de aproximadamente 50%.

Portugal exportou maioritariamente, segundo a Eurostat, 90 657 900 kg de azeite Virgem Extra, de um total de 110 636 700 kg, em 2017. O INE analisou o período de Janeiro a Novembro de 2017 e concluiu que Portugal exportou 104 164 890 kg de azeite, o que corresponde a 426 482 975 euros e importou 89 155 775 kg, o que equivale a 323 326 652 euros.

As principais empresas exportadoras de azeite são: Gallo Worlwide, Sovena Portugal e Elaia Lagar.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.