Quatro anos consecutivos de quebra de produção de castanha em Valpaços

A produção de castanha estimada é de 12 mil toneladas no concelho de Valpaços, onde pelo quarto ano consecutivo se aponta para quebras na colheita da principal fonte de rendimento dos agricultores da serra da Padrela.

Executive Digest com Lusa
Outubro 29, 2024
17:02

A produção de castanha estimada é de 12 mil toneladas no concelho de Valpaços, onde pelo quarto ano consecutivo se aponta para quebras na colheita da principal fonte de rendimento dos agricultores da serra da Padrela.

“A castanha é pouca, mas é de boa qualidade”, afirmou hoje o presidente da Câmara de Valpaços, António de Medeiros, na conferência de imprensa de apresentação da Feira da Castanha Judia que decorreu em Carrazedo de Montenegro.



O preço do fruto também subiu e ronda, segundo o responsável, os 3 a 3,20 euros pagos por quilo ao produtor, um valor acima do 1,20 e 1,50 pagos na campanha anterior, em que a castanha foi afetada pela podridão.

A colheita estimada nas freguesias da serra da Padrela, na zona da Terra Fria, é de 12 mil toneladas, um valor idêntico ao do ano passado, mas muito inferior à produção num ano normal, que, segundo o autarca, anda de 30 a 40 mil toneladas com um volume de negócios estimado de 50 milhões de euros.

O presidente da Junta de Freguesia de Carrazedo de Montenegro e Curros, António Costa, apontou para o quarto ano consecutivo de uma colheita fraca, mas garantiu que, em 2024, o fruto é de “excelente qualidade, calibre e boa conservação”.

Neste território onde praticamente todas as famílias têm castanheiros, o autarca salientou que a castanha continua a ser a principal fonte de rendimento para os agricultores.

Desde a tinta, o cancro, a vespa das galhas do castanheiro à podridão, são muitas as doenças que afetam esta cultura.

“Hoje o castanheiro requer muito tratamento, o souto tem de ser acompanhado, tem que ser tratado e os tratamentos são caríssimos. Agora, a castanha continua a ser uma fonte de subsistência aqui no concelho e principalmente na Terra Fria”, afirmou António de Medeiros.

O presidente disse ainda que, “antigamente, o castanheiro só precisava de arado e machado e hoje precisa de muito mais, até precisa da companhia” do proprietário.

Este ano, a floração foi fraca e a produção foi também afetada pelo vento forte, quando da tempestade Kirk, que derrubou ouriços com castanha verde e partiu ramos e castanheiros.

Na altura, em meados de outubro, a Câmara de Valpaços mandou uma comunicação ao Ministério da Agricultura e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) a solicitar apoio para os produtores afetados, mas, segundo António Medeiros, até ao momento não há nenhuma decisão.

Na feira onde a castanha “é rainha” vão marcar presença 82 expositores, entre produtores locais (castanha, vinho, azeite, doçaria, mel), de artesanato e tasquinhas.

O já tradicional bolo de castanha com 600 quilos, magustos, um concurso de castanhas e animação musical fazem ainda parte do programa do certame que atrai muitos visitantes à vila de Carrazedo de Montenegro e é um importante palco de negócios.

A feira é organizada pelo município, Junta de Carrazedo de Montenegro e Curros e a empresa intermunicipal Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso (EHTB), e representa um investimento de cerca de 100 mil euros.

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