As consequências negativas das alterações climáticas podem abranger um hemisfério inteiro. O alerta é deixado pela NASA, que se mostra especialmente preocupada com o continente europeu: as temperaturas podem cair a pique se o Ártico continuar a aquecer.
Na base do problema está uma corrente oceânica no Ártico que tem como função evitar que os glaciares derretam. Designada Beaufort Gyre, move-se na direcção dos ponteiros do relógio, levando consigo água doce que resulta do degelo de glaciares, mas também da chuva e rios. Este processo natural, que abrange o Norte do Canadá e o Alasca, ajuda a proteger os mares de gelo da água salgada – que os derreteriam mais depressa. Em última instância, este processo ajuda também a manter a temperatura do Pólo Norte.
No entanto, explica o jornal Independent, o degelo cada vez mais acelerado dos glaciares, devido à alterações climáticas, está a fazer com que a corrente circular Beaufort Gyre leve consigo cada vez mais água doce. Isto provoca uma deslocação mais rápida e turbulenta da corrente.
Desde os anos 90, a corrente acumulou cerca de 8 mil quilómetros cúbicos de água doce. Novos dados publicados na revista científica Nature Communications justificam esta concentração de água doce com o degelo acima da média nas estações do Verão e Outono. A redução de gelo no Ártico tem deixado a parte do mar que não está congelada muito mais exposta, sublinha ainda o mesmo estudo. Isto significa que o vento tem mais espaço para criar pequenos tornados, impedindo a água fresca de sair da corrente.
A esta questão junta-se outra: os ventos costumavam mudar de direcção a cada cinco ou sete anos, mas a Nasa descobriu que, nesta região, têm estado sempre de Oeste ao longo dos últimos 20 anos. Agora, caso a direcção mude, a corrente Beaufort Gyre poderá mudar de sentido e passar a mover-se no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, libertando de uma vez só a água que tem vindo a acumular.
«Se a Beaufort Gyre libertasse o excesso de água doce no Oceano Atlântico, poderia potencialmente abrandar a sua circulação. E isso teria implicações climáticas em todo o hemisfério, especialmente no Oeste da Europa», afirma Tom Armitage, autor do estudo da NASA.
A água que a Beaufort Gyre leva consigo poderia afectar outras correntes e impactar a temperatura do continente europeu, bem como o ecossistema marítimo.













