«Radical», «extemporâneo» e «delirante». As reacções à proposta de Medina para as ruas de Lisboa

A proposta de reconfiguração da Baixa de Lisboa, apresentada pelo autarca Fernando Medina na última sexta-feira e que prevê cortes de trânsito e de lugares de estacionamento, lançou a discórdia.

Executive Digest

A proposta de reconfiguração da Baixa de Lisboa, apresentada pelo autarca Fernando Medina na última sexta-feira e que prevê cortes de trânsito e de lugares de estacionamento, lançou a discórdia. Entre moradores, prestadores de serviços e comerciantes ouvidos pelo “Expresso”, as opiniões dividem-se. Há quem se queixe de um plano «radical», «extemporâneo» e «delirante» para a Capital Verde Europeia 2020.

No website da ZER já pode ver «o que vai mudar na cidade». Mas o plano ainda vai passar por período de discussão pública, podendo não ser aprovado tal como a autarquia o apresentou. Fevereiro e Março vão ser meses de análise e debate, primeiro entre as associações, até que depois se inicie o período de discussão pública. Paula Fidalgo, que detém uma empresa de animação turística, promete estar nas reuniões de Câmara, intervir e, «se for preciso, fazer manifestações». 



relatório da ZER fala em «obras de construção de espaço público» só «numa segunda fase», sendo que o que começa este verão é a primeira. Além das propostas que vão sair das reuniões, a Câmara prevê «a realização de um inquérito online para elaboração de diagnóstico e recolha de sugestões relativamente aos locais de intervenção previstos».

Entre as propostas mais polémicas  já deu origem a uma petição +ara travar o projecto de Medina: diz que os residentes que queiram receber visitas de familiares e amigos que se desloquem de carro têm de fazer um aviso prévio com a indicação da matrícula dos veículos, que estes têm de ser posteriores a 2000 e as visitas estão limitadas a 10 por mês. A excepção são os «cuidadores de residentes», mediante a requisição de uma autorização prévia, mas estas também só podem estacionar nos parques de estacionamento.

«Mas cabe ao Estado determinar quantas pessoas me podem visitar por mês? E terá o direito de saber quais?», começa por questionar a petição pública lançada no início da semana a pedir «a suspensão imediata do projecto». A petição foi já assinada por 2869 pessoas.

O projecto também não gera consenso entre os partidos. O PCP fala numa proposta que lhe suscita «dúvidas» e o CDS antecipa riscos. Já João Pedro Costa, vereador do PSD na Câmara Municipal de Lisboa considerou esta nova ZER «segregadora». «Esta proposta não é justa porque serve apenas a uma minoria, que não mora em Lisboa. Temo que a Baixa se transforme num parque temático de recreio para turistas e estrangeiros residentes com vistos gold que passam umas semanas por ano na cidade. Vai afastar quem quer viver a Baixa como parte do seu dia-a-dia, para morar ou trabalhar», disse num comunicado, citado pelo semanário.

Ao “Expresso”, a presidente da União de Associações do Comércio e Serviços (UACS), Maria de Lourdes Fonseca, concorda que tudo foi anunciado como definitivo – ainda que não o seja. Mas diz que a UACS foi avisada uma semana antes da apresentação pública, acrescentando que sentiu «abertura» da autarquia para discutir alterações ao projecto.

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