O que “Vingadores: Guerra Do Infinito” nos ensina sobre os negócios

O Filme Mostra Que Indivíduos Diferentes Podem Trabalhar Juntos Para Ultrapassarem Desafios Intimidadores

Executive Digest

O que é que um filme sobre uma equipa de super-heróis – cientistas, soldados, magos, monstros, androides e extraterrestres – que colaboram para tentar parar a destruição de metade de toda a vida no universo tem a ver com negócios?

Não esperava ver uma ligação, mas quando assisti a “Vingadores: Guerra do Infinito” descobri que é como ver uma versão encenada do meu trabalho diário. Eu e os meus colegas ajudamos equipas de líderes empenhados – empresários, políticos, funcionários públicos, sindicalistas, jornalistas, activistas, académicos e artistas – a colaborarem para abordarem os seus desafios mais importantes e difíceis. O filme ajudou- -me a ver com mais clareza algumas das dinâmicas centrais nesses esforços.

Por exemplo, o nosso trabalho no Laboratório Educativo do México tem vários paralelismos que são cruciais com o filme. O México precisa de melhorar todo o seu sistema educativo para satisfazer as necessidades da sua população diversificada, assim como a sua Economia em desenvolvimento. As taxas de conclusão do secundário e as notas dos testes continuam a ser baixas, e os conflitos entre autoridades da educação, sindicatos de professores e organizações civis são frequentes.

Diversos governos tentaram reformas ambiciosas, mas estas reformas são muitas vezes revogadas quando novas administrações chegam ao poder. O Laboratório Educativo é um esforço para abordar estes desafios complexos de uma nova forma. Cinquenta líderes de todo o sistema – incluindo líderes da educação federais e estaduais e outros representantes do governo, sindicatos de professores e líderes de associações de pais, políticos, reitores, professores, empreendedores, académicos e activistas – trabalham juntos há um ano.

O seu objectivo não é apenas reunirem-se e falarem, mas agirem em conjunto para transformarem o sistema. Tendo em mente os desafios que enfrentamos no Laboratório Educativo, eis algumas lições oferecidas pelo filme Vingadores. Atenção aos spoilers.

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Superproblemas Exigem Superequipas

O filme começa com o vilão Thanos determinado em obter as seis Pedras do Infinito que lhe dão o poder de controlar o universo. Já em posse da primeira pedra, obriga Thor, rei de Asgard, a entregar a segunda. Bruce Banner (o alter ego do monstro Hulk) recruta o mago Stephen Strange e Tony Stark (Homem de Ferro) para impedirem Thanos de ficar na posse das outras pedras. Bruce Banner pede a Tony Stark para chamar Steve Rogers (Capitão América), mas Tony Stark hesita.

«Não é assim tão fácil… eu e o Capitão América tivemos uma discussão. Não falamos um com o outro», revela Tony Stark. Este grupo inicial recruta outros: Peter Parker (Homem-Aranha), Peter Quill e membros da facção rival de Steve Rogers. Todos têm a sua própria história, superpoderes e idiossincrasias.

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Mas concordam em juntar-se nesta superequipa, apesar das suas diferenças, porque todos são necessários para travar Thanos. O Laboratório Educativo reuniu, similarmente, nove superequipas constituídas por pessoas com capacidades poderosas e complementares – incluindo pessoas que até agora não falavam – que só conseguirão atingir os seus objectivos ambiciosos se colaborarem.

Cada uma destas equipas trabalha em diferentes pontos do sistema educativo, no qual uma pequena mudança tem potencial para criar grande impacto. Uma das equipas, que tenta aumentar a escala de programas de desenvolvimento na infância, inclui um investigador experiente e um perito em campanhas, um político com experiência em programas de saúde pública e outro que fez passar uma lei no congresso, e um perito em tecnologia com ligações a um governo estatal onde a equipa está a experimentar a sua estratégia.

Uma segunda equipa, que trabalha na introdução de novas metodologias de aprendizagem através da tecnologia para chegar a comunidades marginalizadas, inclui um líder indígena com a sua própria experiência em termos de marginalização, um empreendedor na educação cuja percepção do que é necessário foi alterada pela história deste líder, um esforçado gestor de projecto que faz parte do Ministério de Educação, o director de uma escola e um filantropo.

E, ainda, uma terceira equipa, que trabalha com o objectivo de mudar a forma como os recursos são alocados às escolas, e que inclui dois representantes séniores do Ministério da Educação, uma congressista e um especialista em políticas educativas que, em conjunto, conseguiram identificar precisamente onde e quando se deve mudar as regras que ditam a distribuição de recursos. Estas equipas, e as outras seis equipas envolvidas, são especificamente poderosas porque incluem indivíduos diversificados e notáveis que nunca tinham tido a oportunidade de reunir forças.

Colaborar Significa Continuar Escolhas Difíceis

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Muitas das cenas mais emocionantes do filme são aquelas em que os super- -heróis precisam de decidir o que estão dispostos a realizar para fazer avançar a missão de derrotar Thanos. Até que ponto é que deveria Thor sacrificar o seu irmão? Deveria Peter Quill matar a sua namorada Gamora, como ela lhe pediu? Deveria a Visão sacrificar a sua vida?

Porque até Thanos hesita em matar Gamora, a sua filha adoptiva, para cumprir o objectivo de obter as pedras. Lidar com escolhas difíceis faz parte de todas as colaborações. Será que é uma batalha em que estou disposto a participar e, ao fazê-lo, a afastar-me da forma familiar de trabalhar? Estou disposto a juntar-me a pessoas diferentes, incluindo algumas com quem não concordo, de quem não gosto ou em quem não confio? Para cumprir a missão, estou disposto a ceder numa questão que é realmente importante para mim, ou até ser visto como um traidor?

Colaborar não envolve uma única escolha – entrar ou não numa equipa – mas sim uma série delas. Todos os que se encontram no Laboratório Educativo enfrentam estas questões e têm de decidir, uma e outra vez, se vale a pena continuar a pertencer ao projecto. Os participantes têm passados, ideologias e lealdades diferentes e, fora do Laboratório, muitos estão em sério conflito. Cada membro de cada equipa de projecto tem um contributo diferente a dar e tem disponibilidade, forma de trabalhar, acesso a recursos e margem de manobra diferentes.

Os líderes de projecto, que não têm autoridade real sobre os seus membros, então têm dificuldade em manter as equipas juntas e em avançar. Os que tiveram mais sucesso conseguiram aproveitar e direccionar as diversas energias voluntárias dos membros das suas equipas para atingirem os grandes objectivos que nenhum deles conseguiria atingir sozinho.

Para Mudarmos O Mundo, Temos De Nos Mudar A Nós

Para que os Vingadores derrotem Thanos, primeiro têm de ultrapassar as suas próprias hesitações, fraquezas e emoções. Esta luta interna é mais visível em Bruce Banner, que durante a maior parte do filme não se consegue transformar em Hulk, cuja força é necessária para a equipa. O mesmo acontece aos membros do Laboratório Educativo.

Os projectos de transformação de sistemas que tentam implementar são ambiciosos, mas os seus maiores desafios estão neles próprios: a sua capacidade de prestar atenção, de ouvir opiniões, de trabalhar com os outros e de agir, mudar e agir de novo.

No final do primeiro ano a trabalharem juntos, um representante do Ministério da Educação afirmou: «Entrei no laboratório a acreditar que era flexível e aberto e estava disponível para chegar a acordo. Mas cheguei à conclusão que não sou assim tão bom como pensava e que para fazermos progressos teria de mudar.»

Lutar Não Significa Ganhar

Os Vingadores lutam contra Thanos com um excelente trabalho de equipa. Contudo, no final, ele é superior e destrói metade de toda a vida no universo, incluindo muitos dos Vingadores. Os outros vivem para lutar outro dia. O sistema educativo mexicano é dinamicamente complexo, o que significa que causa e efeito estão distantes em espaço e tempo.

Mudar este sistema exige uma abordagem sistémica. É geralmente complexo, o que significa que o futuro é desconhecido e imprevisível, exigindo uma abordagem experimental. E é socialmente complexo, o que significa que diferentes stakeholders têm diferentes perspectivas e interesses, exigindo uma abordagem colaborativa. Não há uma forma rápida ou fácil de transformar um sistema desses. As conquistas das equipas de projecto têm sido até agora irregulares e experimentais.

Algumas são mais avançadas que outras e como um todo ainda estão longe de causarem alguma transformação. Podem fracassar mas continuam a lutar, juntos, porque acreditam que dessa forma têm mais hipóteses. As superequipas como as que trabalham no Laboratório Educativo podem ser usadas para transformar qualquer organização.

Quer a nível de projecto ou a nível executivo, as equipas constituídas por pessoas extraordinárias de diferentes silos – incluindo tecnologia, finanças, marketing, produção e comunicações – podem actuar com mais percepção, criatividade, velocidade e alcance do que os que se encontram num único silo. E, a uma escala mais abrangente, podem ser usadas para transformar sectores inteiros, como o da educação.

Podem fazê-lo reunindo pessoas extraordinárias de organizações, incluindo empresas em diferentes partes da cadeia de valor, utilizadores, reguladores, académicos e activistas, que têm diferentes capacidades e possuem diferentes experiências, perspectivas, informações e redes de conhecimentos, e, por fim, bases a partir das quais podem criar mudança.

Thanos pode ter ganho no “Vingadores: Guerra do Infinito”, mas a história dos super-heróis não acaba com esse filme. Assim como o trabalho dos empenhados líderes do Laboratório Educativo não acaba com a sua primeira vitória ou derrota. Nem o das vossas superequipas. Têm de aprender com as vossas próprias experiências e com as dos outros, e escrever a vossa própria sequela. Qual é que irá ser?

 

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