O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas deixa o aviso: todos os pais devem preparar-se, com um plano B, para esta sexta-feira, dia de greve da função pública, dos professores e auxiliares nas escolas. Filinto Lima prevê que será uma das maiores paralisações de sempre no país.
“Todos os fatores se combinam para que tenhamos das maiores greves de sempre nas escolas e também nos serviços públicos. Falei com várias direções de escolas, e a minha perceção é de que iremos ter das maiores greves no nosso país”, diz o responsável, citado pela TSF.
Aos microfones da rádio, Filinto Lima lembra que nas escolas a greve se destina a pessoal docente e não docente, pelo que a maioria dos estabelecimentos de ensino não abrirá portas. “Diria que a maioria das escolas vai estar fechada”, admite.
Com o encerramento previsível, o representante dos Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas recomenda: “Tenho a certeza de que todos os pais já terão um plano B para deixarem os seus filhos noutro lugar.”
A greve dos funcionários públicos que começa às 00:00 de sexta-feira terá os seus primeiros impactos ainda hoje ao final do dia, sobretudo nos hospitais e nos serviços de recolha de lixo, segundo fontes sindicais.
“Os trabalhadores cujos turnos começam às 20:00 ou às 23:00 já estão cobertos pelo pré-aviso de greve como é o caso do setor da saúde ou da recolha do lixo”, diz o secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap), José Abraão, à Lusa.
Esta estrutura sindical da UGT, uma das que convocou a greve, a par do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), estima que a paralisação de sexta-feira vai ter “um impacto acentuado em setores fundamentais como a educação, através do encerramento de milhares de escolas, a saúde, com adiamento de milhares de consultas externas, cirurgias programadas e exames complementares de diagnóstico, bem como dificuldades no funcionamento dos serviços administrativos dos hospitais e unidades de saúde”.
Também nas autarquias se preveem constrangimentos, como é o caso da recolha do lixo, tal como nos serviços da justiça, atendimento das lojas do cidadão, registos e notariado e Segurança Social.
A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, da CGTP, convocou uma manifestação nacional para sexta-feira à tarde, em Lisboa, para a qual foi também emitido um pré-aviso de greve para assegurar a participação dos trabalhadores de todo o país no protesto.
“Convocámos uma manifestação, mas o dia será também de greve e centenas de serviços vão fechar em todo o país”, diz a líder da Frente Comum, Ana Avoila, à Lusa.
O primeiro balanço da greve será feito ainda esta noite pelas estruturas sindicais.
Esta é a primeira greve nacional da função pública desde que o atual Governo liderado por António Costa tomou posse, em outubro, e acontece a menos de uma semana da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), marcada para 06 de fevereiro.
Os sindicatos contestam a proposta de 0,3% de aumentos salariais para este ano apresentada pelo Governo, que consideram “ofensiva” após dez anos de congelamento, e a forma como o processo negocial decorreu.
O Governo voltou, entretanto, a chamar as organizações sindicais para uma reunião dia 10 de fevereiro, quatro dias após a votação final global do OE2020.
Além de aumentos salariais “dignos”, as estruturas sindicais reclamam a correção da Tabela Remuneratória Única, a revisão do sistema de avaliação de desempenho e o alargamento da ADSE aos trabalhadores em regime de contrato individual de trabalho do Estado aos trabalhadores precários que foram regularizados.
Hoje é dia de greve geral. Há escolas fechadas, consultas adiadas e serviços a meio gás





