Hoje é dia de greve geral. Há escolas fechadas, consultas adiadas e serviços a meio gás

Está marcada para hoje, dia 31 de Janeiro, uma greve nacional da função pública.

Executive Digest

Está marcada para hoje dia 31 de Janeiro, uma greve nacional da função pública. Os trabalhadores do Estado contestam a proposta de aumento salarial de somente 0,3% para a Administração Pública. Está confirmada a participação de professores, médicos e enfermeiros, entre outros funcionários públicos.

Na base da paralisação geral estão estruturas como a Frente Comum (CGTP), a Frente Sindical liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (UGT), a Fenprof (CGTP), a Federação Nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros e a Federação Nacional dos Médicos. Querem obrigar o Governo a rever a subida dos salários antes da aprovação do Orçamento do Estado para 2020.

Escolas e hospitais serão apenas algumas dos principais estruturas afectadas pela greve. Do lado do ensino, a Fenprof e outros sindicatos do sector pedem que seja reconhecido o tempo de carreira congelado.

A Fenprof antecipa que «haja uma forte adesão à greve». Em declarações à Executive Digest, João Louceiro, representante do Secretariado Nacional da Fenprof, explica que a previsão tem por base muitos contactos, reuniões e conversas nas escolas. «Neles têm sido confirmadas a indignação e a revolta pela não resolução dos principais problemas insistentemente colocados ao(s) Governo(s).»

Insuficiente investimento na Educação, na Escola Pública e na Ciência, resultando em precariedade laboral, desvalorização e deturpação das carreiras, é uma das queixas do sector. João Louceiro sublinha ainda que «a greve inscreve-se numa jornada de luta conjunta de todos os sectores da Administração Pública que, com importantes razões comuns e outras mais específicas, contestam as políticas que o Governo está a desenvolver, bem patentes na proposta de Orçamento do Estado que é muito negativa para os trabalhadores e para os serviços públicos e funções sociais do Estado».

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Além disso, os trabalhadores contestam «o desrespeito pela negociação colectiva que o Governo vem impondo, o que atenta contra regras básicas da democracia».

A Fenprof lembra ainda que o pré-aviso de greve abrange os docentes dos diferentes níveis de educação e ensino, bem como investigadores. «De qualquer modo, é de alertar para o seguinte: prevendo-se o encerramento de muitas escolas, não será fácil, no próprio dia, obter um levantamento fiável dos níveis de adesão à greve», vinca ainda o representante.

A Fenprof apela também à participação na Manifestação Nacional da Administração Pública marcada para o mesmo dia, a partir das 14h30, e que juntará todos os sindicatos que participam na greve.

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Os médicos, por seu turno, reivindicam “condições de trabalho dignas, a renegociação da Carreira Médica e um efectivo combate à violência contra os profissionais de saúde”, de acordo com o jornal Expresso. Já os enfermeiros exigem o recomeço das negociações sobre o Acordo Colectivo de Trabalho, além de protestarem contra a “inacção do Governo perante o crescendo das agressões aos enfermeiros, causadas pelo mau financiamento dos Serviços do Serviço Nacional de Saúde”.

Os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (TSDT) também se juntam à paralisação: «Aos nossos representados, não poderá ser exigível qualquer prestação de trabalho que integre o conceito de serviços mínimos, que se afasta do que já foi por nós acordado e consta de instrumento de regulamentação coletiva vigente», afirma Luís Dupont, presidente do STSS, em comunicado. Os serviços mínimos estão já negociados entre a estrutura sindical e o Ministério da Saúde.

Na capital portuguesa, há ainda outras áreas a considerar. O Sindicato de Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) já fez saber que, com excepção do Regimento Sapadores Bombeiros, os funcionários da cidade irão participar na greve. “Face a mais de dez anos sem qualquer aumento, [o Governo] apresenta agora uma proposta de 0,3 a 0,4 por cento para 2020. Na prática, estamos perante uns míseros euros por mês para cada trabalhador. Inaceitável e vergonhoso”, refere o sindicato em comunicado.

Caso a adesão à greve seja significativa, prevê-se que a recolha de lixo, a circulação dos autocarros da Carris e outros serviços sejam afectados.

“O Governo pode e deve ir mais longe no que toca aos aumentos salariais para a administração pública”, indica o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE). O sindicato lembra que os aumentos salariais para a administração pública “são um ponto de referência para o sector privado” e sublinha que a proposta do executivo liderado por António Costa “não só empobrece o país como vê afastar as pessoas mais qualificadas para fora do país levando a curto prazo” a uma administração pública “pouco atractiva e desqualificada”.

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