Sobre-endividamento. Deco pede medidas urgentes para travar crédito ao consumo

No ano passado, 29.154 mil famílias que não conseguiam pagar as contas e créditos no fim do mês voltar a pedir ajuda à Deco, que pede uma intervenção rápida do Banco de Portugal. 

Revista de Imprensa

No ano passado, 29.154 mil famílias que não conseguiam pagar as contas e créditos no fim do mês voltar a pedir ajuda à Deco, que pede uma intervenção rápida do Banco de Portugal (BdP). A causa de endividamento é a deterioração das condições laborais, em vez do desemprego, mostram dados da associação, divulgados esta terça-feira..

«O que nos preocupa é que, dada a baixa taxa de desemprego. Devia estar a haver uma diminuição dos pedidos de ajuda. E não só não está a descer, como aumentou ligeiramente», alertou Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da Deco, citada pelo “Diário de Notícias”.

Os montantes médios do crédito, que em 2018 eram de 16.111 euros para o crédito pessoal e 7.580 euros para os cartões de crédito, subiram no ano passado para, respectivamente, 22 mil euros, 8.300 euros. Em termos percentuais, o crédito à habitação tinha um peso de 73% no total de créditos, o crédito pessoal 20% e os cartões de crédito 7%.

Os dados da Deco revelam também que a maioria (44%) dos consumidores que pediram ajuda à Deco eram trabalhadores do sector privado (contra 14% do sector público), 19% eram desempregados e outros 19% reformado.

A especialista avisa que a tendência se deverá manter em 2020, caso não sejam adoptadas novas medidas e regras mais apertadas. «Há sinais de abrandamento da economia e os salários não vão crescer, mas a concessão de crédito regista recordes», diz. Para Natália Nunes, a intervenção do Banco de Portugal é essencial, «sobretudo na área dos cartões de crédito, deve haver uma intervenção rápida».

Continue a ler após a publicidade

Segundo os dados divulgados pelo BdP, o endividamento dos particulares no ano de 2019 bateu alguns máximos históricos. Entre Janeiro e Outubro, as famílias pediram emprestado para habitação, para consumo e outros fins 14 680 milhões de euros». E o valor subiu em Novembro para 16 360 milhões.

«A nossa preocupação. Neste momento, prende-se com a necessidade de concessão de crédito ter de ser feita de forma responsável, não só na área do crédito à habitação, mas também no crédito ao consumo e para outros fins. É primordial que a análise da solvabilidade do consumidor seja efetuada», pode ler-se no relatório da Deco relativo a sobre-endividamento, os rendimentos e as despesas das famílias em 2019, divulgado terça-feira.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.