Rui Pinto «tem mais informação para além do Luanda Leaks. Muitos mais leaks». Quem o garante é Ana Gomes, revelando que o hacker português lhe contou directamente que terá na sua posse mais documentos sobre outros casos.
Em declarações no Fórum TSF, a antiga eurodeputada revela que Rui Pinto fez «várias denúncias anónimas pelos canais da Procuradoria-Geral da República (PGR)» mas que, confrontado com a inacção das autoridades, resolveu divulgar publicamente os documentos.
Concretamente sobre o caso Luanda Leaks, Ana Gomes diz que Rui Pinto «viu que nada acontecia» e que, por isso mesmo, acabou por recorrer ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação – agora alvo de um processo de Isabel dos Santos.
«Ele tem muito mais informação e está disponível para colaborar com as autoridades portuguesas», adianta ainda Ana Gomes à TSF. No entanto, até ao momento, as entidades às quais competem avançar com a investigação só quiseram «que ele colaborasse no sentido de se incriminar a si próprio».
Ana Gomes considera que Rui Pinto está a prestar um extraordinário serviço público e que a atitude das autoridades é «completamente obsoleta». Ao colocarem de parte a informação divulgada pelo pirata informática por ter sido obtida de forma ilegal, não estarão a servir os melhores interesses da sociedade. «Põe a imagem de Portugal na lama» a forma como Rui Pinto está a ser tratado.
«A partir do momento em que está no domínio público, as autoridades têm de actuar contra a criminalidade exposta», afirma ainda.
A antiga eurodeputada aponta ainda um caminho possível: a justiça portuguesa poderia recorrer ao artigo 38º da 4.ª Directiva contra o branqueamento de capitais e o financiamento de terrorismo para proteger o hacker.







