Purga de Putin aos principais militares da Rússia continua: desde abril já foram presos seis oficiais

Andrei Belkov, diretor da Companhia de Construção Militar do Ministério da Defesa, foi acusado de abuso de poder na execução de uma ordem de defesa do Estado

Francisco Laranjeira
Julho 25, 2024
11:34

A purga seus principais oficiais militares da Rússia pelo presidente russo Vladimir Putin não dá mostras de abrandamento: esta semana, foi confirmada a prisão de Andrei Belkov, diretor da Companhia de Construção Militar do Ministério da Defesa.

O oficial, de 46 anos, foi acusado de abuso de poder na execução de uma ordem de defesa do Estado, informa o jornal russo ‘Kommersant’, que cita fontes da agência de segurança: foi detido por comprar um tomógrafo a um preço inflacionado quando foi chefe de outra organização militar sob o Ministério da Defesa – a Diretoria Principal de Construção Militar para Instalações Especiais.



“Foi aberto um processo criminal contra Andrei Belkov por abuso de poder na execução de uma ordem de defesa do Estado. O caso está sendo tratado pelo Ministério de Assuntos Internos da Rússia”, relata uma fonte à agência de notícias estatal ‘Interfax’ esta quinta-feira.

O trabalho de Belkov foi supervisionado pelo ex-vice-ministro da Defesa Timur Ivanov, que foi preso a 23 de abril sob suspeita de aceitar subornos: desde a prisão de Ivanov, cinco outros altos funcionários do ministério e do Estado-Maior, incluindo Belkov, foram detidos pelas autoridades.

“Há uma limpeza feroz em andamento”, salienta uma fonte próxima ao Kremlin e ao Ministério da Defesa ao canal de notícias russo independente ‘Moscow Times’ em maio. “Ainda há um longo caminho a percorrer antes que a purga seja concluída. Aguardam-se mais prisões.”

Pelo menos seis oficiais militares de alta patente foram detidos desde o final de abril.

A última prisão de um funcionário do Ministério da Defesa ocorreu a 24 de maio, quando Vladimir Verteletsky foi acusado de abuso de poder. O Comité Investigativo da Rússia disse que ele é acusado de aceitar subornos em relação a “trabalho que não foi realizado” sob um contrato governamental em 2022.

Vadim Shamarin, vice-chefe do Estado-Maior Russo, também foi detido em maio “em conexão com o caso de suposta fraude”, relatou o ‘Kommersant’ na época – foi um dos principais assessores do principal general da Rússia, chefe do Estado-Maior Valery Gerasimov, e serviu como vice-chefe do Estado-Maior russo desde 2021.

Yuri Kuznetsov, chefe do departamento de pessoal do Ministério da Defesa da Rússia, também foi detido em maio sob suspeita de aceitar subornos.

O major-general Ivan Popov, que havia liderado o 58º Exército da Rússia, foi “preso por suspeita de fraude”, informou a agência de notícias estatal ‘TASS’ a 21 de maio. Antes da sua remoção do comando das tropas russas na região anexada de Zaporizhia, no sul da Ucrânia, em julho de 2023, Popov criticou o Ministério da Defesa russo por não fornecer apoio suficiente para as suas tropas.

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