A purga seus principais oficiais militares da Rússia pelo presidente russo Vladimir Putin não dá mostras de abrandamento: esta semana, foi confirmada a prisão de Andrei Belkov, diretor da Companhia de Construção Militar do Ministério da Defesa.
O oficial, de 46 anos, foi acusado de abuso de poder na execução de uma ordem de defesa do Estado, informa o jornal russo ‘Kommersant’, que cita fontes da agência de segurança: foi detido por comprar um tomógrafo a um preço inflacionado quando foi chefe de outra organização militar sob o Ministério da Defesa – a Diretoria Principal de Construção Militar para Instalações Especiais.
Russia: Timur Ivanov's subordinate Andrei Belkov arrested. He is Director of Defense Ministry's Military Construction Company and is accused of procuring a CT scanner at an inflated price, indicating a plot of state funds embezzlement. https://t.co/6VztDH0ZzI pic.twitter.com/BVAt9OSnl2
— Igor Sushko (@igorsushko) July 24, 2024
“Foi aberto um processo criminal contra Andrei Belkov por abuso de poder na execução de uma ordem de defesa do Estado. O caso está sendo tratado pelo Ministério de Assuntos Internos da Rússia”, relata uma fonte à agência de notícias estatal ‘Interfax’ esta quinta-feira.
O trabalho de Belkov foi supervisionado pelo ex-vice-ministro da Defesa Timur Ivanov, que foi preso a 23 de abril sob suspeita de aceitar subornos: desde a prisão de Ivanov, cinco outros altos funcionários do ministério e do Estado-Maior, incluindo Belkov, foram detidos pelas autoridades.
“Há uma limpeza feroz em andamento”, salienta uma fonte próxima ao Kremlin e ao Ministério da Defesa ao canal de notícias russo independente ‘Moscow Times’ em maio. “Ainda há um longo caminho a percorrer antes que a purga seja concluída. Aguardam-se mais prisões.”
Pelo menos seis oficiais militares de alta patente foram detidos desde o final de abril.
A última prisão de um funcionário do Ministério da Defesa ocorreu a 24 de maio, quando Vladimir Verteletsky foi acusado de abuso de poder. O Comité Investigativo da Rússia disse que ele é acusado de aceitar subornos em relação a “trabalho que não foi realizado” sob um contrato governamental em 2022.
Vadim Shamarin, vice-chefe do Estado-Maior Russo, também foi detido em maio “em conexão com o caso de suposta fraude”, relatou o ‘Kommersant’ na época – foi um dos principais assessores do principal general da Rússia, chefe do Estado-Maior Valery Gerasimov, e serviu como vice-chefe do Estado-Maior russo desde 2021.
Yuri Kuznetsov, chefe do departamento de pessoal do Ministério da Defesa da Rússia, também foi detido em maio sob suspeita de aceitar subornos.
O major-general Ivan Popov, que havia liderado o 58º Exército da Rússia, foi “preso por suspeita de fraude”, informou a agência de notícias estatal ‘TASS’ a 21 de maio. Antes da sua remoção do comando das tropas russas na região anexada de Zaporizhia, no sul da Ucrânia, em julho de 2023, Popov criticou o Ministério da Defesa russo por não fornecer apoio suficiente para as suas tropas.




