Reino Unido será bem-vindo de volta à UE se Brexit «não resultar»

A menos de uma semana da data prevista para o divórcio inglês, marcado para dia 31 de Janeiro o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse esta segunda-feira que o Reino Unido será bem-vindo de volta se o Brexit «não resultar».

Ana Rita Rebelo

A menos de uma semana da data prevista para o divórcio inglês, marcado para dia 31 de Janeiro o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse esta segunda-feira, em declarações à “BBC News”, que o Reino Unido será bem-vindo de volta se o Brexit «não resultar».

O Brexit está oficialmente previsto na lei britânica desde a quinta-feira passada, quando a Rainha Isabel II assinou a proposta do primeiro-ministro Boris Johnson, acordada em Bruxelas com os 27. Agora, seguem-se outras formalidades que devem ser cumpridas em Bruxelas nos próximos dias para que o prazo seja cumprido.

Os eurodeputados vão pronunciar-se sobre o acordo de saída do Reino Único do bloco comunitário no próximo dia 29 de Janeiro, a dois dias do Brexit. O Parlamento Europeu terá de ratificar o tratado que formaliza o Reino Unido como o primeiro estado-membro a deixar a União Europeia (UE). O acordo de saída estipula uma compensação financeira do Reino Unido e inclui um protocolo para evitar uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda.

Consumada o divórcio inglês, inicia-se então um período de transição até 31 de Dezembro de 2020, durante a qual os britânicos continuarão a aplicar e a beneficiar das regras europeias, mas sem estarem representados nas instituições europeias nem o direito de intervir nas suas decisões. À “BBC News”, Varadkar mostrou não ter dúvidas de que a UE terá vantagem nas negociações comerciais pós-Brexit, por ter uma equipa negocial «mais forte» do que o Reino Unido.

O governante irlandês também levantou dúvidas sobre o calendário das negociações, referindo que é «muito curto» para reconstruir a relação entre os dois lados. Boris Johnson, contudo, discorda «respeitosamente», insistindo na ideia de que será possível alcançar um acordo no tempo previsto e que não será pedida uma extensão do prazo. «Temos até o final do ano, mas faremos as coisas muito rapidamente e de uma maneira muito amigável e respeitosa», reafirmou. 

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Recorde-se que o adiamento do Brexit para o dia 31 de Janeiro é o terceiro desde o referendo de 23 de Junho de 2016, no qual a maioria dos britânicos demonstraram vontade em sair da UE.

Boris Johnson desafia Trump

O primeiro-ministro britânico arrisca-se ainda a entrar numa guerra diplomática com os Estados Unidos, o seu «aliado» comercial no pós-divórcio com os 27. Em causa está o anúncio de um acordo entre o Governo britânico e a Huawei para permitir o acesso «restrito» da gigante tecnológica chinesa à rede 5G do país.

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De acordo com o “Financial Times” (FT), Boris Johnson deverá confirmar a parceria com a Huawei na terça-feira, ignorando os sucessivos alertas lançados nos últimos dias pelo próprio Presidente dos Estados Unidos sobre as ameaças desse entendimento com a empresa chinesa para a segurança interna do Reino Unido e a vitalidade das relações transatlânticas.

No início desta semana, os Estados Unidos tentarão um último esforço para impedir a aliança com os chinesas da Huawei, através da presença do seu chefe da Diplomacia Mike Pompeo em território britânico.

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