Na semana em que o Reino Unido deverá finalmente oficializar a saída do Reino Unido da União Europeia – agendada para sexta-feira, dia 31 -, o primeiro-ministro britânico arrisca-se a entrar numa guerra diplomática com os Estados Unidos, o seu «aliado» comercial no pós-divórcio com os 27. Em causa está o anúncio de um acordo entre o Governo britânico e a Huawei para permitir o acesso «restrito» da gigante tecnológica chinesa à rede 5G do país.
De acordo com o “Financial Times” (FT), Boris Johnson deverá confirmar a parceria com a Huawei na terça-feira, ignorando os sucessivos alertas lançados nos últimos dias pelo próprio Presidente dos Estados Unidos sobre as ameaças desse entendimento com a empresa chinesa para a segurança interna do Reino Unido e a vitalidade das relações transatlânticas. A Administração Trump chegou a ameaçar excluir o Reino Unido do «Five Eyes», o mecanismo de cooperação e de troca de informações entre os Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia.
Citando fontes próximas ao processo, a FT dá ainda conta, contudo, de que o Reino Unido tentará impor limites à participação da Huawei em «locais sensíveis», nomeadamente o Parlamento de Westminster ou as bases navais de Portsmouth, Faslane ou Devonport. Assim, o Conselho Nacional de Segurança será chamado a pronunciar-se sobre duas opções: a proibição total da chinesa exigida por Trump; ou uma proibição de a empresa prestar serviços «essenciais», juntamente com um limite de participação de mercado.
Este domingo, o secretário de Estado norte-
The UK has a momentous decision ahead on 5G. British MP Tom Tugendhat gets it right: “The truth is that only nations able to protect their data will be sovereign.” https://t.co/8lLEUEUxdL
Continue a ler após a publicidade— Secretary Pompeo (@SecPompeo) January 26, 2020
No início desta semana, os Estados Unidos tentarão um último esforço para impedir a aliança com os chinesas da Huawei, através da presença do seu chefe da Diplomacia Mike Pompeo em território britânico.
Em Abril de 2019, o Governo de Theresa May, antecessora de Johnson, estava a preparar-se para tomar uma decisão. Contudo, terá dividido as autoridades britânicas e foi adiada por motivos políticos e éticos.
Os Estados Unidos, recorde-se, lideram há um ano um boicote à tecnológica chinesa e têm feito pressão nos países aliados, sobretudo na União Europeia, por suspeitas de utilização por parte do Governo chinês dos seus grupos de telecomunicações para actos de espionagem. A Huawei está na lista negra do Departamento do Comércio dos Estados Unidos, sendo que Austrália e a Nova Zelândia bloquearam a utilização de tecnologia fornecida pela chinesa.
A gigante chinesa tem negado reiteradamente que o Governo chinês alguma vez lhe tenha pedido para introduzir «portas traseiras”» secretas na sua tecnologia, oferecendo-se até para assinar um «acordo de não espionagem» com os países que a adoptem.













