Tem-se registado uma melhoria nos padrões de integridade das empresas a nível global, impulsionada por melhorias na gestão administrativa e regulamentação mais rigorosa. Apesar dos avanços, persistem desafios significativos tanto internos quanto externos que afetam o comportamento ético dos funcionários.
De acordo com o Global Integrity Report 2024 recém-publicado pela EY, com base em entrevistas com 5.464 colaboradores e membros da direção em 53 países e territórios, cerca de metade dos participantes (49%) relatou uma melhoria nos padrões de integridade em suas organizações nos últimos dois anos. A confiança na conformidade com leis, códigos de conduta e regulamentos relevantes foi expressa por uma maioria esmagadora (90%) dos entrevistados.
As causas para essas melhorias incluem uma orientação mais forte da administração (61%) e uma regulamentação mais rigorosa (48%), além de pressões de clientes (37%), público em geral (33%) e acionistas (26%). Entretanto, o relatório alerta para pressões contínuas que desafiam os padrões de integridade, como o ambiente macroeconómico atual (30%) e a falta de compreensão das regras de conduta por parte dos funcionários (28%).
A análise também destaca que mais de dois terços (68%) das violações significativas de normas de compliance e fraudes ocorrem envolvendo terceiros, sublinhando a necessidade de uma vigilância contínua sobre parcerias e cadeias de suprimentos.
Para Susana de Lencastre, Partner, Forensic & Integrity Services da EY Portugal, “no contexto de um ambiente cada vez mais globalizado e regulamentado, a integridade corporativa é um tema relevante e de crescente importância, garantindo a ética, transparência e responsabilidade de todas as operações. As empresas que enfrentam os desafios da integridade – conformidade regulamentar, cultural empresarial e transparência -, têm maior probabilidade de obter vantagens competitivas, aceder a negócios noutros mercados e alavancar a sua reputação e confiança junto de consumidores e investidores, assegurando um crescimento sustentável a longo prazo”.
No entanto, o relatório também aponta lacunas na comunicação interna sobre a importância da integridade. Enquanto a maioria dos altos executivos (56%) frequentemente destaca a ética corporativa, apenas um terço dos funcionários de níveis inferiores (33%) relata o mesmo nível de ênfase.
“O estudo Global Integrity Report 2024 apresenta sinais claros de que os padrões de integridade estão a aumentar, à medida que uma melhor gestão, fatores regulamentares e procura dos clientes, deixam a sua marca. É também evidente que os colaboradores estão bastante confiantes de que os seus colegas cumprem as regras, mas não há como esconder o facto de que as pressões internas e externas sobre estas normas persistem – desde a agitação económica e as ameaças informáticas até às alterações regulamentares e às falhas nos processos financeiros – e as empresas que ignoram estas pressões fazem-no por sua conta e risco”, refere Andrew Gordon, EY Global Forensic & Integrity Services Leader.
O estudo revela ainda que há perceções divergentes sobre o tratamento de condutas éticas entre diferentes níveis hierárquicos. Cerca de um terço dos entrevistados (31%) acredita que comportamentos éticos são mais tolerados entre altos executivos.
Por fim, o relatório conclui que as organizações devem fazer mais para criar uma cultura de denúncia segura. Embora haja uma diminuição no número de empresas sem linhas diretas para denúncias desde 2022, mais da metade dos denunciantes (54%) afirmam ter enfrentado pressões para não reportar irregularidades, indicando desafios persistentes na proteção dos colaboradores que agem de forma ética.














