Despesa do Estado com apoio aos idosos pode disparar para 9% do PIB

Portugal, um dos países mais envelhecidos da União Europeia (UE), ao lado da Itália, enfrenta desafios significativos na prestação de cuidados formais à sua população dependente. O país apresenta a segunda menor cobertura de cuidados de longo prazo na UE, o que resulta numa pressão crescente sobre as despesas públicas. Nos próximos anos, prevê-se um aumento considerável nos custos necessários para equiparar os níveis de apoio oferecidos por outros países europeus.

Executive Digest com Lusa

Portugal, um dos países mais envelhecidos da União Europeia (UE), ao lado da Itália, enfrenta desafios significativos na prestação de cuidados formais à sua população dependente. O país apresenta a segunda menor cobertura de cuidados de longo prazo na UE, o que resulta numa pressão crescente sobre as despesas públicas. Nos próximos anos, prevê-se um aumento considerável nos custos necessários para equiparar os níveis de apoio oferecidos por outros países europeus.

Segundo o Ageing Report 2024 da Comissão Europeia, em 2022, Portugal destinou apenas 0,5% do seu PIB para cuidados sociais à população dependente, com dois terços desse valor a financiar vagas em lares e outras estruturas, revela o ‘Negócios’.



Portugal destaca-se negativamente no contexto europeu, com apenas 8,1% dos idosos dependentes a terem acesso a apoio público em 2022, situando-se atrás de países como a Croácia. A média da UE atinge cerca de 47,3%. Além disso, apenas 1,5% da população idosa portuguesa com dependências recebe prestações pecuniárias, em contraste com 33,7% na média europeia. Essa baixa cobertura tem permitido um controlo das despesas públicas, que podem subir apenas para 0,9% do PIB até 2070, se o número de beneficiários permanecer limitado.

O cenário pode mudar drasticamente se Portugal expandir a cobertura pública de cuidados de longo prazo nas próximas décadas. Caso adote políticas alinhadas com as melhores práticas europeias, o país poderá ver as suas despesas públicas com esses cuidados saltarem para 9% do PIB, um aumento significativo.

Contudo, essa transformação depende de uma mudança profunda na política pública, que ainda não está em curso. Por enquanto, o país prepara-se para ampliar a rede nacional de cuidados continuados integrados, com mais 7.000 lugares previstos pelo Plano de Recuperação e Resiliência, mas sem impacto considerável do estatuto do cuidador informal aprovado em 2019.

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