México prepara-se para “as temperaturas mais altas alguma vez registadas”. Já morreram 26 pessoas devido ao calor

País enfrenta onda de calor que já registou temperaturas recorde, mas o pior ainda está para vir, alertam os especialistas.

Pedro Gonçalves

O México enfrenta uma onda de calor que já bateu recordes, causou quedas de energia, resultou em mortes e está a afetar gravemente a fauna local. A maior universidade do país, a Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM), alertou na quarta-feira que as próximas duas semanas poderão trazer temperaturas “sem precedentes”.

Este calor extremo é parcialmente impulsionado pelo fenómeno meteorológico El Niño, que está a exacerbar as condições climatéricas. De acordo com a Comissão Nacional da Água, 70% do México encontra-se em seca e um terço do país enfrenta uma seca grave.

“Nos próximos 10 a 15 dias, o país vai registar as temperaturas mais elevadas de sempre”, afirmaram os investigadores da UNAM num comunicado. Na Cidade do México, a capital, as temperaturas podem atingir um recorde de 35 graus Celsius nas próximas duas semanas, disse Jorge Zavala, director do Instituto de Ciências Atmosféricas e Mudanças Climáticas da UNAM. Em outras regiões do país, as temperaturas ultrapassam os 40 graus Celsius.

A área metropolitana da Cidade do México, com 21 milhões de habitantes, está habituada a um clima mais temperado e a maioria das residências não possui ar condicionado. No início deste mês, a capital foi uma das dez cidades mexicanas a registar o dia mais quente de sempre. Segundo dados do Ministério da Saúde do México, pelo menos 26 pessoas morreram devido a causas relacionadas com o calor nos últimos meses, adianta a Reuters.

O calor extremo também está a afetar espécies ameaçadas. No sul do México, os macacos bugios têm morrido por suspeita de desidratação. Na cidade de León, no estado central de Guanajuato, um zelador forneceu água a gansos e patos depois de o reservatório de uma barragem próxima ter secado. “Temos de os ajudar um pouco porque eles sofrem”, disse Carlos Cuevas, um encarregado de educação.

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Sob uma tenda junto ao reservatório seco, Alfonso Cortes, arcebispo católico local, presidiu a uma missa pela chuva, enquanto os paroquianos se abanavam devido ao calor. “Vamos rezar para que o Senhor envie ao nosso estado e a todos os seres humanos o dom da água”, disse Cortes. “Tudo gira em torno da nossa vida e da água.”

A crise de calor no México sublinha a urgência de medidas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e melhorar a resiliência das infraestruturas. Os investigadores da UNAM e outras autoridades continuam a monitorizar a situação, apelando para a consciencialização e ação tanto a nível local como global.

Este período de temperaturas extremas representa um desafio significativo para a população mexicana, exigindo esforços concertados para proteger os mais vulneráveis e ao mesmo tempo assegurar o bem-estar das espécies ameaçadas.

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