Marca italiana Versace deixa de usar peles de canguru

A marca de luxo decidiu provocar outras alternativas ao couro, sobretudo depois dos fogos que têm devastado a Austrália.

Executive Digest

A italiana Versace deixou de usar peles de canguru. A marca de luxo decidiu provocar outras alternativas ao couro, sobretudo depois dos fogos que têm devastado a Austrália.

Donatella Versace confirmou que a empresa disse «não» à pele de animal às criações da Versace em 2019, segundo um comunicado enviado à associação de proteção animal italiana Lav.



Este gesto mereceu uma resposta de Dan Mathews, vice-presidente da associação pelos direitos dos animais PETA. «Ainda bem para ti, Versace! Os cangurus são abatidos aos milhões todos os anos e as suas peles são frequentemente usadas para produzir calçado de futebol e outros», disse. E sublinhou: «Estes animais sensíveis e inteligentes são abatidos por caçadores e são por vezes decapitados ou atingidos bruscamente na cabeça. (…) É muito encorajador que a Versace esteja a deixar os cangurus fora das suas colecções e a PETA espera que 2020 seja o ano em que outros designers sigam o mesmo caminho».

Este comunicado da Versace surge na sequência da Lav ter denunciado, em Outubro do ano, que são caçados 2,3 milhões de cangurus na Austrália, por ano, para fins comerciais. Entre 2012 e 2015, terão sido enviados para Itália cerca de dois milhões de peles.
«Os fogos na Austrália já mataram meio milhão de animais, mas a caça aos cangurus continua. Vamos parar o massacre dos cangurus antes que seja tarde demais», apela aquele organismo.

O ano de 2019 foi o mais quente e seco na Austrália desde que existem registos. O passado dia 18 de Dezembro foi o dia mais quente de sempre do país. Desde Setembro, os incêndios já provocaram a morte de, pelo menos, quase 500 milhões de animais na Austrália, incluindo oito mil coalas, segundo meios locais.

O jornal espanhol “El Vanguardia” noticiava, esta semana, que as milhares de quilos de comida têm sido entregue a animais afectados, nomeadamente 30 mil coalas e canguros, no âmbito da operação “Rock Wallaby”. «As avaliações iniciais dos incêndios indicam que o habitat de várias populações importantes de wallabies [marsupiais mais pequenos do que cangurus) foi destruído pelos recentes incêndios florestais. Em muitos casos, os wallabies sobrevivem aos incêndios, mas ficam abandonados e com pouca comida, já que o fogo destrói a vegetação no seu habitat», disse Matt Kerney, ministro da Energia e do Ambiente do estado de Nova Gales do Sul, na Austrália.

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Imagens captadas pela associação Warriors for Wildlife, que se dedica a salvar animais selvagens, em Monaro, uma das regiões mais afectadas na Austrália, mostram dezenas de cangurus a fugir dos incêndios.

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